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Morre aos 88 anos Aldenor Ernesto de Lima, fundador do Canto da Peixada, em Manaus

Empresário deixa legado na gastronomia amazonense à frente de um dos restaurantes mais tradicionais da capital, que chegou a preparar refeição para o Papa João Paulo II

O empresário Aldenor Ernesto de Lima, fundador do tradicional restaurante Canto da Peixada, morreu nesta segunda-feira (31), aos 88 anos, em Manaus. A informação foi divulgada pelo D24AM e confirmada em nota de pesar pela Câmara Municipal de Manaus (CMM).

Referência na gastronomia regional, Aldenor construiu uma trajetória diretamente ligada à valorização dos peixes e pratos típicos do Amazonas. O Canto da Peixada, fundado em 1974, tornou-se um dos estabelecimentos mais conhecidos da capital e atravessou mais de cinco décadas de funcionamento.

Nascido em Careiro da Várzea, em 27 de agosto de 1938, Aldenor exerceu diferentes atividades antes de se tornar empresário. Trabalhou como garimpeiro, passou pelo Porto de Manaus como estivador e também atuou como prático.

A história do Canto da Peixada começou em 1º de maio de 1974, quando Aldenor abriu o estabelecimento ao lado do amigo Luís Martins, na esquina das ruas Emílio Moreira e Ayrão, no bairro Praça 14 de Janeiro, Zona Sul de Manaus.

O início foi simples: o restaurante contava com um fogão doméstico, um freezer emprestado e um investimento de 200 cruzeiros recebido do pai de Aldenor. Dois anos depois da abertura, Luís Martins deixou a sociedade e Aldenor passou a comandar sozinho o empreendimento.

Nas primeiras décadas, o Canto da Peixada também ficou conhecido como ponto da vida noturna de Manaus, chegando a permanecer aberto até as primeiras horas da manhã. Pratos tradicionais da cozinha amazonense, entre eles a caldeirada de tucunaré e o bodó, ajudaram a consolidar a reputação do estabelecimento.

Refeição para João Paulo II

Um dos episódios mais emblemáticos da história do restaurante ocorreu em 1980, durante a passagem do Papa João Paulo II por Manaus. O Canto da Peixada foi escolhido para preparar uma das refeições servidas ao pontífice durante a visita à capital amazonense.

O episódio passou a integrar a memória do estabelecimento e ganhou destaque ao longo de sua história. As louças utilizadas pelo Papa foram preservadas e permaneceram expostas no restaurante.

Ao completar 50 anos, em 2024, o Canto da Peixada e seu fundador também receberam reconhecimento da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) pela contribuição à cultura e à economia do Estado.

Aldenor era pai do vereador Aldenor Lima (União Brasil) e sogro da deputada estadual Joana Darc (União Brasil).

Em nota de pesar, a Câmara Municipal de Manaus destacou o empresário como um defensor da culinária amazonense e ressaltou sua contribuição para a preservação das tradições gastronômicas da região.

O velório de Aldenor foi realizado nesta segunda-feira na Funerária Canaã, no Centro de Manaus. O sepultamento foi marcado para o Cemitério São João Batista.

Fonte: D24AM, com informações complementares da Câmara Municipal de Manaus e de A Crítica.

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