Site icon Agro Floresta Amazônia – Principais Notícias do Agro!

Margem Equatorial pode ter petróleo mais rentável que o pré-sal, avalia presidente da Petrobras

A descoberta de petróleo na Margem Equatorial brasileira reforçou as expectativas da Petrobras sobre o potencial econômico de uma nova fronteira exploratória no Norte do país. Embora ainda não seja possível determinar o tamanho da reserva, a presidente da estatal, Magda Chambriard, avalia que a qualidade do óleo encontrado pode tornar sua exploração altamente rentável.

As primeiras informações são referentes ao poço pioneiro Morpho, localizado na Bacia da Foz do Amazonas, na costa do Amapá. O petróleo identificado apresenta características diferentes daquele extraído no pré-sal, principalmente por ser mais leve, condição que pode favorecer seu valor comercial e facilitar etapas do processo de refino.

A descoberta foi anunciada pela Petrobras no dia 14 de agosto, após trabalhos de perfuração iniciados em outubro de 2025.

Apesar das expectativas, a companhia ainda precisa determinar a dimensão efetiva da descoberta. Novas análises, testes e atividades de perfuração serão realizados para identificar o volume de petróleo existente e conhecer com maior precisão as características do reservatório.

Uma amostra do óleo deverá ser encaminhada ao Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), no Rio de Janeiro, onde serão avaliados parâmetros como densidade e viscosidade.

Durante visita ao navio-sonda que opera na costa amapaense, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a qualidade do petróleo encontrado, classificando-o como um óleo de alto padrão. Para Magda Chambriard, justamente a qualidade do produto está entre os aspectos mais promissores observados até agora.

Potencial de novas descobertas

A presidente da Petrobras ponderou que a Margem Equatorial não deve ser colocada em uma comparação direta com o pré-sal, especialmente porque ainda faltam informações sobre a dimensão das reservas. A expectativa da estatal, entretanto, é de que novas descobertas relevantes possam ocorrer na região.

O avanço das pesquisas também é considerado estratégico diante das projeções de redução da produção do pré-sal a partir de meados da década de 2030. Nesse cenário, novas áreas produtoras poderiam contribuir para manter a oferta nacional de petróleo e reduzir riscos de o Brasil voltar a depender de importações.

Outro ponto que será investigado é a eventual presença de gás natural associado ao petróleo. A viabilidade de aproveitamento desse recurso dependerá da quantidade encontrada e das condições técnicas e econômicas para separação e utilização dos produtos.

A Petrobras pretende retomar as atividades no poço Morpho por volta dos dias 11 ou 12 de setembro. A próxima etapa deve envolver coleta de novas amostras de rochas e fluidos, além de perfilagens destinadas a ampliar o conhecimento sobre a formação geológica.

Petrobras aguarda novas autorizações

A estatal também aguarda autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para perfurar outros três poços na região. Caso as licenças sejam concedidas, a Petrobras pretende utilizar o navio-sonda NS-43 nessas operações.

Já o NS-42, utilizado atualmente, deverá passar por manutenção antes de seguir para o litoral do Rio Grande do Norte, onde está prevista a perfuração do poço exploratório Mãe de Ouro.

A Petrobras estuda se essa área poderá constituir outro polo de produção offshore, considerando também descobertas anteriores realizadas na Bacia Potiguar, entre elas Pitu e Pitu Oeste.

Por enquanto, discussões sobre a instalação de uma nova refinaria na Região Norte são consideradas prematuras. Antes de avaliar um empreendimento dessa dimensão, será necessário confirmar se o volume encontrado é suficiente para sustentar uma operação comercial.

A companhia também mantém interesse na Bacia de Pelotas, no Rio Grande do Sul, onde estão sendo adquiridos e interpretados dados sísmicos. Ainda não há previsão definida para a perfuração de um primeiro poço na região.

Segundo a direção da Petrobras, a abertura de novas fronteiras exploratórias está relacionada também à estratégia de segurança energética brasileira. A estatal responde por aproximadamente um terço da energia primária consumida no país e considera necessário ampliar novas fontes de produção diante do crescimento esperado da demanda energética nas próximas décadas.

A descoberta na costa do Amapá permanece, portanto, em estágio inicial. A confirmação de uma nova área produtora dependerá dos próximos estudos sobre volume, características geológicas e viabilidade econômica. Os resultados obtidos até agora, contudo, ampliam as expectativas sobre o papel que a Margem Equatorial poderá desempenhar no futuro da produção brasileira de petróleo.

Fonte: Jornal O Sul, com informações sobre declarações da presidente da Petrobras, Magda Chambriard. Matéria publicada em 23 de agosto de 2026.

Exit mobile version