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Lisboa amplia rede de sirenes para reforçar alerta contra tsunamis

Capital portuguesa instalará dois novos equipamentos na frente ribeirinha e passará a contar com seis pontos de aviso; sistema pode alertar a população cerca de 30 minutos antes da chegada de um tsunami

Lisboa vai ampliar o sistema de aviso e alerta de tsunami com a instalação de duas novas sirenes na frente ribeirinha da cidade. A medida faz parte da estratégia de proteção civil da capital portuguesa e pretende aumentar a capacidade de resposta em áreas consideradas vulneráveis a esse tipo de desastre natural.

Os novos equipamentos serão instalados ainda este ano no Jardim Sá da Bandeira, na freguesia da Misericórdia, e nas proximidades da Estação de Santa Apolónia, em Santa Maria Maior. A segunda instalação também permitirá ampliar a cobertura do alerta para a população da freguesia de São Vicente.

Além das duas novas sirenes, o município fará uma mudança na estrutura já existente. O equipamento atualmente instalado nas dependências da Marinha, na Avenida Ribeira das Naus, será transferido para o Miradouro do Chão do Loureiro.

A alteração pretende melhorar a propagação do sinal sonoro na região da Baixa Pombalina e do Terreiro do Paço, áreas de grande circulação de moradores e turistas.

Com a ampliação, Lisboa passará a contar com seis pontos de alerta distribuídos pela frente ribeirinha. As sirenes estarão localizadas na Praça do Império, em Belém; no Passeio Carlos do Carmo, em Alcântara; na Doca de Alcântara/Santo Amaro, na Estrela; no Jardim Sá da Bandeira, na Misericórdia; na Estação de Santa Apolónia; e no Miradouro do Chão do Loureiro, em Santa Maria Maior.

Alerta pode antecipar evacuação

O sistema foi desenvolvido para permitir que a população seja avisada diante da possibilidade de ocorrência de um tsunami. Em um cenário de emergência, o alerta pode chegar cerca de 30 minutos antes da chegada das ondas, criando uma janela para que moradores e visitantes deixem as áreas de risco e se desloquem para locais considerados seguros.

A rede de sirenes integra uma estrutura mais ampla de prevenção, que inclui sinalização de percursos de evacuação, pontos de encontro, sistemas de informação e ações de sensibilização da população.

A definição dos locais para os novos equipamentos foi baseada em estudos técnicos e acústicos e também levou em consideração resultados de exercícios realizados pela Proteção Civil.

Entre eles está o Lisbon Wave 26, simulacro realizado em março deste ano para testar procedimentos de evacuação e avaliar a capacidade de propagação e audição dos alertas. As conclusões do exercício ajudaram a identificar pontos onde o sistema poderia ser aperfeiçoado.

Rede deverá chegar a dez sirenes

A expansão não deve terminar com os seis equipamentos. A Câmara Municipal de Lisboa pretende chegar a dez sirenes distribuídas pela frente ribeirinha, aumentando gradualmente a cobertura das áreas sujeitas aos impactos de um eventual tsunami.

O investimento faz parte das ações destinadas a fortalecer a capacidade da Proteção Civil diante de fenômenos extremos e preparar a população para situações em que o tempo de reação pode ser determinante.

A preocupação com esse tipo de ocorrência tem raízes profundas na história portuguesa. Lisboa foi atingida, em 1º de novembro de 1755, por um forte terremoto seguido por tsunami e incêndios, episódio que provocou grande destruição na capital e se tornou uma das maiores catástrofes naturais registradas na Europa.

Mais de dois séculos e meio depois, a combinação entre sistemas de monitoramento, alertas sonoros, rotas de evacuação e treinamento da população busca reduzir os impactos caso um fenômeno semelhante volte a ameaçar a região.

Em situações de risco, a orientação das autoridades é que, ao ouvir o alerta de tsunami ou perceber sinais naturais (como um terremoto muito forte ou alteração súbita e anormal do nível da água), as pessoas se afastem imediatamente da zona ribeirinha e procurem locais mais elevados.

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