Antonio Ximenes – Correspondente da COP30, Belém.
A ausência dos Estados Unidos na cúpula de líderes, que teve início hoje em Belém, reforçou a união entre as nações que defendem o multilateralismo e estão dispostas a avançar nas negociações climáticas, mesmo com Washington resistindo a compromissos como o Acordo de Paris.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou destacando a urgência de encontrar soluções para as mudanças climáticas. Ele ressaltou o papel das florestas como exemplo mundial de preservação do planeta, em um momento crítico, próximo ao ponto de não retorno, com a temperatura global já ultrapassando 1,5°C, como registrado no ano passado.
Lula enfatizou que a realização da COP30 na Amazônia simboliza que o Brasil possui todas as condições de ser uma referência global na preservação de florestas tropicais úmidas. Citou ainda a parceria com países como Congo, Indonésia e Malásia, que, juntos, formam as maiores áreas de florestas tropicais do mundo.
O presidente também mencionou a redução do desmatamento da Amazônia em seus três mandatos como exemplo de liderança ambiental, consolidando sua imagem como um estadista global do meio ambiente.
Países como China, Reino Unido, Suécia, Holanda, Irlanda, Colômbia, Chile e outras nações presentes no primeiro dia do evento reafirmaram que o Acordo de Paris permanece como prioridade no combate às mudanças climáticas.
Os líderes destacaram que a ciência já comprovou que a emergência climática afeta todo o planeta e que bilhões de pessoas podem sofrer com a fome caso a temperatura global ultrapasse 2°C até o ano de 2100.
Foi defendida, ainda, a criação de um fundo climático anual de 1,3 trilhão de dólares até 2035. Segundo os participantes, esse valor é possível desde que os países desenvolvidos se comprometam com práticas sustentáveis de adaptação e mitigação dos impactos causados por enchentes, secas, furacões, incêndios e outros fenômenos extremos intensificados pelas mudanças climáticas.
