O primeiro dia do II Seminário Internacional de Gestão de Áreas Protegidas (SIGAP), em Manaus, evidenciou um ponto em comum entre especialistas e gestores: a necessidade de ampliar o protagonismo da Amazônia nas decisões sobre seu próprio futuro.
O evento, que reúne representantes de diferentes países da Pan-Amazônia, tem como um de seus principais objetivos fortalecer a integração regional e construir estratégias conjuntas para a conservação da biodiversidade.
Amazônia como voz ativa nas decisões
Durante os debates, o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Henrique Pereira, destacou que a região precisa deixar de ser apenas objeto de políticas públicas e passar a ser protagonista na formulação dessas estratégias.
Segundo ele, ainda há uma forte centralização das decisões, muitas vezes distante da realidade local. “É fundamental inverter essa lógica e construir políticas a partir das demandas da própria Amazônia, considerando sua diversidade e complexidade”, afirmou.
A fala reforça a ideia de que soluções importadas ou generalizadas tendem a não atender às especificidades da região, marcada por múltiplas realidades sociais, culturais e ambientais.

Integração entre países amazônicos
Outro ponto central do seminário foi a necessidade de fortalecer a cooperação entre os países que compõem a Amazônia.
A coordenadora do MPGAP, Ordilena Miranda, destacou que o evento funciona como um espaço de articulação internacional, reunindo diferentes experiências em gestão de áreas protegidas.
“Estamos conectando visões, políticas e práticas de diversos países amazônicos. Esse intercâmbio é essencial para enfrentar desafios comuns e potencializar soluções conjuntas”, explicou.
A proposta é construir uma agenda integrada de conservação, superando limitações impostas por fronteiras nacionais.
Ciência, sociedade e políticas públicas em diálogo
A professora da Universidade Federal do Pará, Larissa Chermont, também reforçou a importância de aproximar ciência, sociedade e governo para tornar as políticas mais eficazes.
Para ela, o grande desafio é garantir que as decisões sejam construídas de forma coletiva, com escuta ativa das populações que vivem na Amazônia.
“Quando não há diálogo, cada setor acaba trabalhando de forma isolada, e isso enfraquece os resultados. É preciso construir soluções em conjunto”, destacou.
Um novo posicionamento estratégico
As discussões do seminário indicam uma mudança de perspectiva: a Amazônia deixa de ser vista apenas como um território a ser protegido e passa a ocupar um papel estratégico nas discussões globais sobre clima, biodiversidade e desenvolvimento.
Nesse contexto, o II SIGAP se consolida como um espaço fundamental para fortalecer esse novo posicionamento, promovendo o intercâmbio de conhecimento e a construção de políticas mais alinhadas à realidade amazônica.
Texto e foto: Beatriz Costa