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II Leilão Direito de Viver arrecada R$ 213,1 mil e transforma solidariedade em protagonista na 48ª Expoagro

Iniciativa em benefício do Hospital de Amor mobilizou produtores, empresários e parceiros do agro amazonense; durante o evento, participantes também se uniram e arrecadaram R$ 35 mil para ajudar trabalhadora em tratamento cardíaco

O som do martelo marcou mais do que a venda de animais e outros itens durante a 48ª Expoagro. A cada novo lance, produtores rurais, empresários e parceiros do agronegócio amazonense transformaram a tradicional dinâmica de um leilão em uma corrente de solidariedade.

O II Leilão Direito de Viver arrecadou R$ 213,1 mil em prol do Hospital de Amor, instituição reconhecida pelo atendimento gratuito e especializado a pacientes oncológicos.

A iniciativa foi realizada com a mobilização do Grupo Amigos da Pecuária do Amazonas, apoio da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (FAEA) e participação de produtores, empresários, doadores, arrematantes e parceiros.

Durante o leilão, porém, a solidariedade ultrapassou a própria finalidade inicial do evento. A história de Nelma Costa, trabalhadora doméstica que chegou ao local apenas para vender dindins e conseguir uma renda adicional durante um tratamento cardíaco, mobilizou os participantes. Em poucos momentos, empresários e fazendeiros reuniram R$ 35 mil para ajudá-la.

As duas mobilizações deram ao leilão um significado que foi muito além dos valores dos arremates.

Agro se mobiliza em benefício do Hospital de Amor

Para Muni Lourenço, presidente da FAEA e vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), iniciativas como o Leilão Direito de Viver demonstram que o setor agropecuário também pode exercer papel importante na transformação social.

“Apoiar iniciativas como o Leilão Direito de Viver reforça o papel do setor agropecuário não apenas como importante vetor de desenvolvimento econômico, mas também como agente de transformação social”, afirmou.

Segundo Muni, o resultado alcançado demonstra a capacidade de mobilização dos diferentes segmentos que compõem o agro amazonense.

“O sucesso do II Leilão Direito de Viver mostra que, quando o agro se une por uma nobre causa, sua força também se transforma em solidariedade, esperança e cuidado com a vida”, destacou.

Augusto Salla arremata animal por R$ 30 mil

Entre os empresários que participaram da disputa estava Augusto Salla, proprietário do Grupo Risadinha. Ele arrematou um animal por R$ 30 mil e destacou que, nesse tipo de leilão, o valor pago ganha outro significado por causa da finalidade da arrecadação.

“O animal foi arrematado por R$ 30 mil. O valor é muito gratificante porque a gente está participando e ajudando”, afirmou.

Esta não foi a primeira participação de Augusto na iniciativa. O empresário também esteve na edição anterior e recordou que, naquele momento, participou de um arremate que chegou a R$ 46 mil.

Para ele, escolher animais de qualidade também ajuda a estimular a disputa entre os compradores e, consequentemente, elevar o montante destinado à causa.

“A gente prefere escolher animal bom para valorizar e trazer mais arrecadação. Essa disputa é especial porque o dinheiro vai para ajudar”, explicou.

Augusto afirmou ainda que pretende retornar às próximas edições para continuar contribuindo.

César do Pescado participa pelo segundo ano

Outro participante foi o empresário conhecido como César do Pescado, que atua no fornecimento e distribuição de peixes. Junto com um grupo de amigos, ele realizou um arremate de R$ 11 mil.

“A gente, junto com o nosso grupo, arrematou no valor de R$ 11 mil. É o segundo ano que participamos e fazemos isso para ajudar o hospital”, contou.

César relatou que sua aproximação com o trabalho do Hospital de Amor começou antes da realização dos leilões no Amazonas. Há cerca de 23 anos, ele participa da tradicional Festa do Peão de Barretos, em São Paulo, e teve a oportunidade de conhecer o trabalho desenvolvido pela instituição.

“Há 23 anos participo da festa de Barretos e a gente tem visitado o hospital. Aqui, o objetivo de participar do leilão é ajudar o Hospital de Amor”, afirmou.

O item adquirido pelo grupo foi um animal da raça Nelore, arrematado pelos R$ 11 mil.

César também pretende continuar participando das próximas ações, mesmo nas ocasiões em que não puder estar fisicamente no evento.

Mas a contribuição do empresário naquela noite não terminaria com o arremate.

Uma caixa de dindins e uma história que mudou o leilão

Foi durante o II Leilão Direito de Viver que César conheceu Nelma Costa.

Trabalhadora doméstica, Nelma estava afastada de suas atividades havia cerca de três meses pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e enfrentava um tratamento cardíaco. Para conseguir complementar a renda durante o período de afastamento, passou a produzir e vender dindins em alguns eventos.

Naquela noite, ela não havia ido à Expoagro imaginando participar de qualquer grande mobilização. Sua intenção era simplesmente vender os produtos que havia levado.

Nelma conseguiu uma credencial por meio de outro empresário e entrou no local do leilão. Lá, conheceu César. Durante uma conversa, contou que estava vendendo os dindins para conseguir dinheiro extra e ajudar nas despesas durante o tratamento do coração.

A história sensibilizou o empresário.

César decidiu compartilhar a situação de Nelma e mobilizar empresários, pecuaristas e fazendeiros que já participavam do leilão beneficente.

A partir daí, a caixa de dindins ganhou um valor simbólico e passou a receber contribuições muito superiores ao preço dos produtos que Nelma pretendia comercializar.

Inicialmente, a proposta era que metade do dinheiro arrecadado fosse destinada ao Hospital de Amor e a outra metade ficasse com a trabalhadora.

Ao conhecer a história de Nelma, porém, a organização ligada à ação beneficente abriu mão da parte que seria destinada ao hospital, permitindo que toda a quantia obtida naquela mobilização fosse entregue a ela.

Os participantes continuaram contribuindo.

Ao final, empresários e fazendeiros reuniram R$ 35 mil para ajudar Nelma durante seu tratamento.

“Eu vim apenas vender meus dindins”

O resultado surpreendeu principalmente quem havia chegado ao local sem qualquer expectativa além de conseguir realizar algumas vendas.

Nelma contou que havia ido à Expoagro somente com a intenção de vender os dindins e obter uma renda adicional.

Afastada há três meses do trabalho como doméstica, ela encontrou nas vendas uma alternativa para conseguir algum recurso enquanto realiza o tratamento.

O encontro casual com César acabou transformando completamente aquela noite.

Emocionada com a mobilização, Nelma agradeceu aos empresários, produtores e demais participantes que decidiram contribuir e disse estar muito feliz e grata pela ajuda recebida.

A história criou uma segunda corrente de solidariedade dentro de um evento que já tinha como objetivo ajudar outras pessoas.

De um lado, participantes estavam reunidos para arrecadar recursos destinados ao atendimento de pacientes com câncer. De outro, ao conhecerem uma necessidade individual que surgiu inesperadamente no próprio ambiente do leilão, decidiram novamente contribuir.

Para Felipe Aragão, a causa do amor é maior

A finalidade social também foi determinante para a participação de Felipe Aragão, proprietário da Fazenda Ferradura.

Para ele, a escolha do animal não era o principal motivo para entrar na disputa.

“Na verdade, a gente entrou nessa causa pelo Hospital de Amor. Todos os animais que vieram para o leilão foram doados e a gente entrou para arrematar e ajudar nessa causa”, explicou.

Felipe também participou da primeira edição e afirmou que pretende continuar contribuindo.

“É o segundo ano que a gente participa do leilão e vamos continuar participando, porque é para uma causa maior. O intuito aqui realmente é fazer o bem aos outros, sabendo que esse dinheiro arrecadado vai ajudar muitas pessoas do Hospital de Amor”, afirmou.

O empresário também manifestou o desejo de que a instituição possa ampliar sua presença no Amazonas.

“Que, se Deus permitir, venha a ser construído um polo aqui em Manaus também”, acrescentou.

Organização comemora resultado

Para Sérgio Soares, coordenador do leilão e integrante do Grupo Amigos da Pecuária do Amazonas, os R$ 213,1 mil alcançados representam o resultado de uma mobilização que envolveu diferentes segmentos.

“Agradeço à FAEA, à Sepror, aos produtores, pecuaristas, empresários, doadores, arrematantes e a todos que contribuíram, de alguma forma, para que esse leilão acontecesse e alcançasse esse resultado tão expressivo”, afirmou.

Segundo Sérgio, a iniciativa demonstra que a atuação do setor agropecuário amazonense pode ultrapassar a geração de negócios e assumir também uma dimensão social.

“Para nós, essa iniciativa representa muito, porque é uma demonstração de que o setor agropecuário do Amazonas também abraça causas que transformam vidas”, destacou.

O coordenador espera ainda que a mobilização contribua para aproximar o Hospital de Amor do Amazonas.

“Esperamos que, em breve, possamos contar com um Instituto de Prevenção do Hospital de Amor aqui no Amazonas e, quem sabe, no futuro, até com um hospital”, afirmou.

R$ 213,1 mil para o Hospital de Amor e R$ 35 mil para Nelma

O II Leilão Direito de Viver acrescentou uma dimensão diferente à programação da 48ª Expoagro.

Em uma feira marcada por negócios, genética animal, tecnologia, produção rural e oportunidades comerciais, o evento mostrou outra capacidade de mobilização do setor agropecuário.

A primeira corrente resultou em R$ 213,1 mil arrecadados em benefício do Hospital de Amor.

A segunda surgiu sem planejamento.

Nelma Costa entrou no evento com uma caixa de dindins e a intenção de conseguir algum dinheiro para complementar a renda durante o tratamento do coração. Saiu de lá após uma mobilização que reuniu R$ 35 mil em contribuições.

Os dois valores têm destinações diferentes e, por isso, não se confundem: os R$ 213,1 mil correspondem à arrecadação do II Leilão Direito de Viver destinada ao Hospital de Amor, enquanto os R$ 35 mil foram levantados especificamente para ajudar Nelma.

As histórias de Augusto Salla, César do Pescado, Felipe Aragão, Nelma Costa e dos demais participantes mostram que, naquela noite, o resultado mais importante não estava apenas nos animais levados para casa ou nos valores registrados a cada lance.

No II Leilão Direito de Viver, o martelo marcou os arremates, mas foi a solidariedade que determinou o verdadeiro valor da noite.

Texto e Fotos: Beatriz Costa

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