Embarcações produzidas pela colombiana Cotecmar são equipadas com blindagem e armamento e poderão atuar em patrulhamento de fronteiras, transporte de tropas e operações de interdição
A Força de Defesa da Guiana recebeu seis novas patrulheiras fluviais blindadas produzidas pela Corporação de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento da Indústria Naval, Marítima e Fluvial da Colômbia, a Cotecmar. As embarcações foram projetadas para operar em rios e áreas de pouca profundidade e devem ampliar a capacidade de vigilância e patrulhamento do país.
A conclusão da entrega foi divulgada pela Cotecmar e repercutida pelo Infodefensa e pela Revista Sociedade Militar. O projeto envolveu não apenas a construção das embarcações, mas também testes de aceitação, treinamento das tripulações e transferência de tecnologia.
As novas unidades pertencem à classe de Botes de Operação Fluvial de Baixo Calado, conhecida pela sigla BOFBC. Cada embarcação possui 8,68 metros de comprimento, 2,42 metros de largura e deslocamento de aproximadamente 3,73 toneladas.
Um dos principais diferenciais está no calado de apenas 0,48 metro. A característica permite a navegação em regiões rasas e amplia a capacidade de atuação em rios, estuários e outras vias navegáveis onde embarcações maiores enfrentam limitações.
Segundo o Infodefensa, os botes podem ser empregados em missões de patrulhamento fluvial, vigilância de fronteiras, controle do tráfego em rios, transporte tático de pessoal, apoio logístico e ações de interdição.
Embarcações contam com blindagem e armamento
As patrulheiras possuem casco de alumínio e proteção balística de nível NIJ III em áreas da embarcação e nos escudos instalados nas posições de tiro.
O armamento inclui uma metralhadora pesada M2HB Browning de 12,7 mm instalada na proa e duas metralhadoras M240B de 7,62 mm posicionadas na popa.
A configuração amplia a capacidade das forças guianenses para operações em ambientes fluviais que apresentam riscos à segurança das equipes.
A propulsão é feita por dois motores de popa de quatro tempos, com potência de 90 cavalos cada. As embarcações podem alcançar velocidade máxima de aproximadamente 24 nós e possuem autonomia estimada em cerca de 300 quilômetros.
Cada unidade pode operar com quatro tripulantes, transportar até cinco passageiros e levar aproximadamente 400 quilos de carga.
Projeto inclui capacitação das equipes da Guiana
A cooperação entre Colômbia e Guiana foi além do fornecimento das seis embarcações. O contrato também contemplou treinamento e transferência de conhecimento técnico para que militares guianenses possam operar os novos equipamentos.
O encerramento do projeto foi formalizado com a participação do presidente da Cotecmar, contra-almirante Walter Wilches, e do chefe do Estado-Maior da Força de Defesa da Guiana, brigadeiro Omar Khan.
A entrega também representa um avanço para a indústria naval colombiana no mercado regional de defesa. A Cotecmar desenvolve projetos de embarcações militares e fluviais e tem ampliado sua atuação no desenvolvimento de tecnologia naval produzida na América Latina. Em junho deste ano, a empresa e a Armada da Colômbia receberam o Prêmio Nacional de Engenharia 2026 pelo projeto da patrulheira oceânica ARC “24 de Julio”.
Reforço ocorre em região estratégica próxima ao Brasil
A incorporação das embarcações chama atenção pela localização estratégica da Guiana, que compartilha fronteira terrestre com Brasil, Venezuela e Suriname.
A extensa rede hidrográfica da região torna os rios importantes corredores de deslocamento, inclusive em áreas de difícil acesso por terra. Nesse cenário, embarcações de baixo calado podem ser utilizadas para ampliar a presença das forças de segurança em regiões fronteiriças e remotas.
O reforço da capacidade operacional guianense também ocorre em um contexto de atenção sobre a segurança regional devido à disputa territorial entre Guiana e Venezuela pela região do Essequibo.
Com as seis novas unidades, a Força de Defesa da Guiana passa a contar com embarcações projetadas especificamente para operações em ambientes fluviais, aumentando sua capacidade de deslocamento, patrulhamento e vigilância em áreas estratégicas do país.
Fontes: Infodefensa e Revista Sociedade Militar

