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Feira do Tambaqui atrai consumidores em Manaus com pescado de rio e preço mais acessível

Venda realizada na Fundação Amazônia Sustentável reuniu consumidores desde as primeiras horas deste sábado (29); organização informou que nove toneladas de pescado chegaram para comercialização

O sábado começou cedo para quem queria garantir tambaqui de rio em Manaus. A Feira do Tambaqui, realizada neste sábado (29) na sede da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), no bairro Parque Dez de Novembro, atraiu consumidores interessados não apenas no preço mais acessível, mas também na procedência do pescado, proveniente de comunidades ribeirinhas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá.

Entre os compradores estava Francisco José, que foi à sede da FAS especialmente para levar um tambaqui para casa. Para ele, a diferença de preço em relação aos estabelecimentos convencionais é um dos principais atrativos da feira.

“Por causa do preço. Aqui é mais acessível do que no supermercado”, afirmou Francisco José, em entrevista ao jornalista Antônio Ximenes.

O consumidor fez as contas para demonstrar a economia. Segundo ele, um tambaqui de aproximadamente quatro quilos pode custar entre R$ 80 e R$ 90 em um supermercado, enquanto na feira é possível adquirir um peixe semelhante por pouco mais de R$ 60.

Francisco já conhecia a iniciativa e conta que também procura outros pescados quando são oferecidos pela FAS. “Às vezes eu compro aqui quando tem o pirarucu, mas hoje só está o tambaqui”, relatou.

Consumidores procuram peixe de rio

Para Claudete Pereira, a motivação vai além do preço. Nascida no município de Borba, na calha do rio Madeira, ela destaca a possibilidade de encontrar em Manaus um tambaqui proveniente do ambiente natural.

“Eu venho comprar aqui porque é um peixe seguro, é um peixe do rio, que é difícil a gente achar. A gente só encontra tambaqui de viveiro”, disse.

Claudete é frequentadora das edições da feira e acompanha os anúncios para saber quando haverá uma nova comercialização. A procura é tanta que, segundo ela, é preciso chegar cedo para garantir o pescado.

“A gente vem toda vez que eles anunciam. Tem o WhatsApp deles e a gente vem logo, chega aqui de madrugada”, contou.

Para ela, a combinação entre origem e preço torna a compra ainda mais vantajosa. “Está ótimo, bem mais barato do que a gente comprar na feira, que são até de viveiro. E eles são do rio”, comparou.

Os relatos dos consumidores mostram uma das características da iniciativa: aproximar o pescado manejado nas comunidades do interior do Amazonas do mercado consumidor da capital.

Nove toneladas chegaram para comercialização

A expectativa de grande procura foi confirmada ao longo da manhã. Alexandre Barbosa Bastos, coordenador de Logística da Fundação Amazônia Sustentável, informou que nove toneladas de tambaqui chegaram para a edição deste sábado.

A quantidade é superior às oito toneladas anunciadas inicialmente pela instituição antes da realização da feira.

Segundo Alexandre, o movimento registrado durante a manhã indicava que todo o pescado poderia ser comercializado ainda no início da tarde.

“Na verdade, vieram nove toneladas e acredito que não vai mais dar até uma hora da tarde. A gente zera o estoque. A expectativa é que hoje toda a feira seja concluída e provavelmente não vá sobrar nem um pouquinho”, afirmou.

O coordenador também destacou a presença expressiva de consumidores desde as primeiras horas de funcionamento.

“O público veio, bastante gente, e todos os peixes estão sendo bem vendidos, com ótima qualidade”, acrescentou.

Feira fortalece comunidades de Mamirauá

Além de permitir ao consumidor comprar o pescado diretamente em uma ação de comercialização na capital, a Feira do Tambaqui integra uma cadeia que gera renda para famílias que vivem na região de Mamirauá.

A edição deste sábado comercializou tambaquis provenientes da RDS Mamirauá, uma das mais importantes áreas protegidas do Amazonas. A FAS participa dando suporte à realização da feira e à logística necessária para que o pescado saia das comunidades e chegue ao consumidor em Manaus.

“A FAS hoje está aqui apoiando toda a comunidade de ribeirinhos da RDS Mamirauá e, graças a Deus, está tudo dando certo”, destacou Alexandre.

Antes da realização do evento, a Fundação Amazônia Sustentável havia informado que a edição envolveria 53 manejadores e beneficiaria diretamente 21 famílias das comunidades São Francisco do Mangueira e Catiti, no setor Macopani da RDS Mamirauá.

A feira evidencia, assim, dois lados de uma mesma cadeia: de um lado, famílias ribeirinhas que encontram mercado para a produção manejada; do outro, consumidores de Manaus que procuram pescado de rio a preços considerados mais acessíveis.

Para quem chegou cedo neste sábado, essa relação podia ser resumida no peixe levado para casa. Francisco José saiu satisfeito com a economia. Claudete Pereira encontrou o tambaqui de rio que procura e diz ser difícil achar no comércio convencional. E, enquanto os consumidores deixavam a FAS carregando seus peixes, a expectativa da organização era de encerrar o dia sem estoque.

Entrevistas e Fotos: Antônio Ximenes
Informações complementares: Fundação Amazônia Sustentável (FAS)

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