Entre duas cores, um só coração: Junina Aparecida transforma anos de espera em vitória
Beatriz Costa
Urucará, Amazonas, Brasil. 5/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. Noite de apresentações no Festival. Na foto, apresentação da Junina Aparecida. Foto: Raphael Alves
Com o tema “A promessa de São João: Entre duas cores, um só coração”, agremiação venceu a 26ª edição do festival e também comemorou a conquista inédita de seu casal de realeza; resultado coroou meses de ensaios, reformulações e trabalho coletivo
A espera terminou em uma noite de festa, emoção e conquista para a comunidade de Aparecida. No dia 5 de setembro de 2026, a Associação Cultural Junina Aparecida foi anunciada campeã do XXVI Festival de Quadrilhas Estilizadas de Urucará, encerrando uma trajetória recente marcada por resultados próximos do título e pela expectativa de brincantes, dirigentes e moradores que acompanhavam a agremiação havia anos.
Para o presidente da associação, Arthur Gama, o anúncio trouxe uma mistura de tensão, alívio e felicidade.
“Eu estava muito nervoso e, quando saiu o resultado, foi um alívio e um sentimento imenso de felicidade.”
Urucará, Amazonas, Brasil. 6/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. Apuração das notas do Festival. Na foto, integrantes das associações acompanham a apuração. Foto: Raphael AlvesUrucará, Amazonas, Brasil. 6/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. Apuração das notas do Festival.. Foto: Raphael Alves
Com o tema “A promessa de São João: Entre duas cores, um só coração”, a quadrilha levou à arena um espetáculo que reuniu dança, música, interpretação, figurinos, alegorias e uma narrativa sobre o amor diante das diferenças. A apresentação foi resultado de meses de preparação e de um processo artístico que passou por mudanças até encontrar sua forma definitiva.
A conquista também foi acompanhada pela vitória do Casal Realeza, formado por Andria Isabely Pires Marques e Júlio César, que disputaram juntos o item pela primeira vez. Para a associação, o resultado representou mais do que o reconhecimento de uma apresentação: foi a concretização de um objetivo compartilhado por diferentes gerações de brincantes e por uma comunidade que manteve viva a esperança de ver a Junina Aparecida no lugar mais alto do festival.
Urucará, Amazonas, Brasil. 5/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. Noite de apresentações no Festival. Na foto, apresentação da Junina Aparecida. Foto: Raphael Alves
Arthur afirma que a comemoração ultrapassou os limites da própria associação e chegou ao bairro que dá nome à quadrilha.
“Esse título representa muito, pois vai ficar na história da Junina Aparecida. O nosso bairro ficou em festa, porque era um título muito aguardado por eles.”
Nos bastidores, a história da campeã foi construída por muitas mãos. Houve ensaios que avançaram pela madrugada, reformulações coreográficas, viagens entre municípios, confecção de figurinos, conferência de documentos e adereços, além do trabalho de artistas, fiscais, dirigentes e familiares. Cada etapa exigiu dedicação para que o espetáculo chegasse à arena com a unidade necessária para disputar os 11 itens previstos no regulamento.
A vitória, portanto, não começou na noite da apuração. Foi construída durante meses por pessoas que dividiram responsabilidades, enfrentaram dificuldades e mantiveram o mesmo objetivo até a entrada na arena.
Urucará, Amazonas, Brasil. 4/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. Os trabalhos no “QG” da Associação Cultural Junina Aparecida, no bairro Aparecida. Foto: Raphael AlvesUrucará, Amazonas, Brasil. 4/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. Os trabalhos no “QG” da Associação Cultural Junina Aparecida, no bairro Aparecida. Foto: Raphael AlvesUrucará, Amazonas, Brasil. 4/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. Os trabalhos no “QG” da Associação Cultural Junina Aparecida, no bairro Aparecida. Foto: Raphael Alves
Da ideia ao espetáculo campeão
A apresentação que levou a Junina Aparecida ao título de 2026 passou por um processo de construção e reformulação ao longo dos meses que antecederam o festival. O tema “A promessa de São João: Entre duas cores, um só coração” serviu como ponto de partida para uma narrativa que precisava ganhar forma na música, na dança, nos figurinos e em cada elemento levado à arena.
Segundo o presidente Arthur Gama, a ideia inicial foi apresentada pelo coreógrafo Erison dos Santos e, posteriormente, encaminhada aos diretores artísticos Maisa Santos e Bargson Vieira, responsáveis por aprofundar a pesquisa e desenvolver a proposta.
“A ideia do tema veio do nosso coreógrafo Erison dos Santos. Depois foi passada para os nossos diretores artísticos, Maisa dos Santos e Bargson Vieira, que fizeram as pesquisas, desenvolveram a temática e realizaram as melhorias necessárias.”
Urucará, Amazonas, Brasil. 4/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. Os trabalhos no “QG” da Associação Cultural Junina Aparecida, no bairro Aparecida. Foto: Raphael AlvesUrucará, Amazonas, Brasil. 4/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. Os trabalhos no “QG” da Associação Cultural Junina Aparecida, no bairro Aparecida. Foto: Raphael Alves
A partir desse trabalho, a equipe começou a definir os elementos que dariam identidade ao espetáculo. Figurinos, repertório musical, coreografias, alegorias e adereços precisavam dialogar com a história apresentada, mantendo uma unidade visual e artística.
O processo, entretanto, não aconteceu de maneira linear. O coordenador-geral Douglas Azevedo conta que a agremiação chegou a trabalhar inicialmente com outra temática, o que exigiu adaptações quando a proposta definitiva foi estabelecida.
“Logo de início não era essa temática. Com o passar dos dias, a gente foi fazendo as alterações.”
As mudanças alcançaram também as coreografias. Parte dos movimentos havia sido criada em uma etapa anterior e precisou ser revista para acompanhar o novo direcionamento artístico.
Douglas explica que a chegada de profissionais de Manicoré, já na reta final da preparação, contribuiu para reorganizar esse material e dar maior coerência ao conjunto.
Urucará, Amazonas, Brasil. 5/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. Noite de apresentações no Festival. Na foto, apresentação da Junina Aparecida. Foto: Raphael Alves
“Quando chegaram os dois coreógrafos de Manicoré, eles fizeram uma limpeza e assim foram surgindo as coreografias de acordo com a temática.”
A expressão “limpeza”, utilizada pelo coordenador, refere-se ao trabalho de revisar movimentos, ajustar formações e aperfeiçoar a execução das coreografias. O objetivo era fazer com que os brincantes apresentassem os passos com mais clareza, segurança e sintonia com a narrativa.
Para Douglas, a construção do espetáculo dependia justamente da integração entre as diferentes áreas da quadrilha. Não bastava que um elemento funcionasse isoladamente: era necessário que figurino, música, coreografia, interpretação e organização contribuíssem para o mesmo resultado.
“Para mim foi a união, o conjunto de tudo. Isso foi fundamental para chegar a um resultado.”
Essa preocupação também aparece no regulamento do festival. Entre os 11 itens avaliados, o quesito Conjunto considera animação, organização, evolução dos passos, harmonia, desenvolvimento do tema e entrada e saída da arena. Já a Originalidade observa a execução do enredo, seu desenvolvimento, contextualização e coerência temática.
Na prática, isso significava que a história escolhida precisava ser compreendida não apenas pelo texto ou pela apresentação, mas pelo espetáculo inteiro.
Urucará, Amazonas, Brasil. 4/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. Os trabalhos no “QG” da Associação Cultural Junina Aparecida, no bairro Aparecida. Na foto, Douglas Azevedo, coordenador-geral da quadrilha. Foto: Raphael AlvesUrucará, Amazonas, Brasil. 4/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. Os trabalhos no “QG” da Associação Cultural Junina Aparecida, no bairro Aparecida. Foto: Raphael Alves
A preparação começou em maio e ganhou intensidade conforme a data do festival se aproximava. Douglas relata que os ensaios aconteciam geralmente das 19h às 22h, período em que a equipe trabalhava tanto a execução dos movimentos quanto a postura dos brincantes.
A interpretação era uma das preocupações do coordenador. Ele procurava orientar os integrantes a manter a confiança mesmo diante de eventuais erros, evitando que uma falha comprometesse a continuidade da apresentação.
“Você tem que transmitir segurança, leveza. Por mais que tenha errado a coreografia, tem que manter a cabeça erguida, principalmente sorrindo.”
O trabalho de preparação, portanto, não se limitava à memorização dos passos. Envolvia também resistência física, expressão, disciplina e capacidade de manter a concentração durante toda a apresentação.
À medida que o festival se aproximava, a equipe passou a trabalhar com um prazo cada vez menor para concluir os ajustes. Foi nesse contexto que a chegada de Franklin Lagos Gima e Maisa Santos, vindos de Manicoré, abriu uma nova etapa na preparação da Junina Aparecida.
Urucará, Amazonas, Brasil. 4/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. Os trabalhos no “QG” da Associação Cultural Junina Aparecida, no bairro Aparecida. Foto: Raphael Alves
Duas semanas para reorganizar o espetáculo
Quando Franklin Lagos Gima e Maisa Santos chegaram a Urucará, faltavam apenas duas semanas para o XXVI Festival de Quadrilhas Estilizadas. A Junina Aparecida já tinha um projeto em andamento, mas ainda precisava revisar coreografias, organizar a apresentação e ajustar elementos que deveriam dialogar com a temática definitiva.
Os dois vieram de Manicoré, onde atuam no universo das quadrilhas, e encontraram uma rotina que exigiria trabalho intenso até os últimos dias antes da competição.
Franklin já conhecia a Junina Aparecida. Sua primeira participação aconteceu em 2025, após a indicação de um amigo de Manicoré que havia sido contratado para integrar a equipe artística do projeto. Segundo ele, a experiência foi bem-sucedida e resultou em nota máxima como marcador.
O desempenho abriu caminho para um novo convite em 2026, desta vez com uma participação mais ampla.
“Veio o convite novamente para o projeto 2026, com uma nova ideia. E assim surgiu novamente a oportunidade de estar no município de Urucará, como apresentador mais uma vez”, conta Franklin.
Urucará, Amazonas, Brasil. 5/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. Noite de apresentações no Festival. Na foto, apresentação da Junina Aparecida. Foto: Raphael Alves
Uma trajetória construída entre festivais
Franklin começou sua trajetória artística em 2023, na zona rural de Manicoré, atuando como coreógrafo e marcador. Desde então, passou a integrar equipes responsáveis pela criação e condução de espetáculos juninos.
Ele relata que acompanhou uma evolução importante em uma das quadrilhas com as quais trabalhou: de sétimo lugar, em 2024, para o segundo lugar em 2025, quando a equipe também alcançou notas máximas nos quesitos coreográficos.
A experiência em Urucará, entretanto, apresentou desafios diferentes.
“O que mais chamou a atenção foram os itens avaliativos, que são diferentes, e a forma como dançam.”
Em 2026, Franklin não ficou restrito à condução da apresentação. Ele também participou da coreografia, da composição e do desenvolvimento da temática.
“Esse ano eu vim acima do que vim. Como coreógrafo, como compositor, com participação direta no desenvolvimento da temática proposta, tendo em vista apenas duas semanas para se organizar.”
Urucará, Amazonas, Brasil. 4/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. Os trabalhos no “QG” da Associação Cultural Junina Aparecida, no bairro Aparecida. Na foto, Manuh Paes, 29, brincante e artesã. Foto: Raphael AlvesUrucará, Amazonas, Brasil. 4/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. Os trabalhos no “QG” da Associação Cultural Junina Aparecida, no bairro Aparecida. Na foto, os brincantes Victor Vargas, 25, e Karina Felipe, 38.Foto: Raphael Alves
Para ele, a função de apresentador ou marcador exige mais do que domínio técnico. É necessário perceber o ritmo do espetáculo, acompanhar a resposta dos brincantes e transmitir a energia adequada a cada momento.
“A função é a mais importante, por conduzir todo o espetáculo e dar a energia necessária para cada ato. É como um coração que sente todas as sensações e tem a obrigação de controlar para o bom funcionamento.”
Maisa Santos também chegou à Junina Aparecida com experiência na área artística e coreográfica. Ela conheceu o festival de Urucará em 2025, quando Franklin participou pela primeira vez, e recebeu em 2026 a oportunidade de acompanhá-lo e integrar o trabalho da agremiação.
Urucará, Amazonas, Brasil. 4/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. Os trabalhos no “QG” da Associação Cultural Junina Aparecida, no bairro Aparecida. Foto: Raphael Alves
Durante os preparativos, atuou na parte artística e coreográfica. No dia da apresentação, também acompanhou a organização dos bastidores.
“Eu atuei na parte coreográfica, na parte artística. Durante os preparativos, nós somos coreógrafos, somos de Manicoré. E, no dia da apresentação, eu fiquei na parte dos bastidores, ajudando na organização.”
A principal dificuldade foi o tempo disponível.
“Nós tivemos muito pouco tempo para trabalhar com a Junina. Chegamos faltando duas semanas para o festival e tivemos um trabalho muito intenso de corrigir algumas coisas, passar coreografias, montar e organizar a apresentação. Tudo isso em duas semanas.”
O trabalho exigiu que a equipe revisasse movimentos e formações já existentes, além de organizar a sequência da apresentação. A cada ensaio, os ajustes precisavam ser assimilados pelos brincantes, que também enfrentavam o desgaste acumulado dos meses anteriores.
Maisa e Franklin já vinham de uma temporada intensa em Manicoré. A chegada a Urucará significou praticamente emendar uma rotina de festival na outra.
“Nós já vínhamos de uma rotina bem puxada, de um festival que exigia muito da gente. Depois do festival de Manicoré, viemos para Urucará. A gente já vinha de uma rotina cansativa, mas é o trabalho que a gente ama fazer. No final, vale a pena.”
Urucará, Amazonas, Brasil. 4/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. Os trabalhos no “QG” da Associação Cultural Junina Aparecida, no bairro Aparecida. Foto: Raphael Alves
Ensaios que avançavam pela madrugada
O que mais impressionou Maisa foi a disposição dos integrantes da Junina Aparecida para continuar trabalhando mesmo diante do cansaço.
Ela acompanhou não apenas os brincantes, mas também as equipes responsáveis pelos módulos, alegorias e demais estruturas utilizadas no espetáculo.
“O que mais me impressionou foi a dedicação da quadrilha e das equipes que atuam nos bastidores. Os ensaios eram de domingo a domingo e tinha dias em que terminavam tarde, meia-noite, até de madrugada.”
Segundo a coreógrafa, essa dedicação foi fundamental para que as mudanças fossem assimiladas em tão pouco tempo.
“A dedicação dos brincantes também nos ajudou bastante.”
O relato reforça uma característica da preparação da Aparecida: o espetáculo não dependia apenas dos profissionais responsáveis pela criação. Cada alteração precisava ser executada por um grupo inteiro, com pessoas que conciliavam ensaios, trabalho, estudos e responsabilidades familiares.
Urucará, Amazonas, Brasil. 5/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. Noite de apresentações no Festival. Na foto, apresentação da Junina Aparecida. Foto: Raphael Alves
A sanfona que marcou a entrada
Entre as escolhas artísticas que permaneceram na memória da equipe está a entrada de Franklin com uma sanfona.
A ideia partiu do coordenador-geral Douglas Azevedo, que procurava uma forma de valorizar a presença do apresentador e criar uma abertura marcante para o espetáculo.
“Foi ideia minha que ele viesse sentado com aquela sanfona. Inclusive fui eu que providenciei a sanfona para ele, porque ele era sanfoneiro.”
A cena ajudou a estabelecer a atmosfera da apresentação e a conectar a condução de Franklin ao universo musical do São João.
Na saída, outro efeito foi pensado para marcar o encerramento.
Douglas destaca os fogos utilizados no momento final.
“Aqueles fogos deram o efeito que precisava.”
As duas escolhas mostram como a equipe procurou trabalhar não apenas a execução das coreografias, mas também a entrada, a saída e os momentos de impacto visual do espetáculo.
Urucará, Amazonas, Brasil. 5/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. Noite de apresentações no Festival. Na foto, apresentação da Junina Aparecida. Foto: Raphael Alves
O último ensaio e a decisão de não mudar mais
No dia 3 de setembro, dois dias antes da competição, a Junina Aparecida participou do ensaio técnico oficial do festival. Cada associação teve 30 minutos para utilizar o espaço da apresentação.
A equipe ainda chegou a considerar novas alterações, mas decidiu manter o que havia sido construído.
“A gente ainda pensou em mudar, mas decidiu seguir porque estava muito em cima para ter alteração”, explica Douglas.
A partir daquele momento, o foco passou a ser a execução.
Douglas reforçava aos brincantes a importância de manter a segurança, a leveza e a expressão durante toda a apresentação, mesmo diante de eventuais erros.
“Você tem que transmitir segurança, leveza. Por mais que tenha errado a coreografia, tem que manter a cabeça erguida, principalmente sorrindo.”
Urucará, Amazonas, Brasil. 5/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. Noite de apresentações no Festival. Na foto, apresentação da Junina Aparecida. Foto: Raphael Alves
Para Franklin, a experiência também exigiu adaptação pessoal e profissional. Ele afirma que trabalhar em outro município, com uma dinâmica diferente, ampliou sua compreensão sobre o próprio ofício.
“Foi uma experiência não apenas para um portfólio qualquer, onde todos os artistas almejam, mas sim de conhecimento, de diversidades encontradas que tiram a gente do conforto psicológico, para que possamos entender e lidar com o momento exigido.”
Maisa guarda uma percepção semelhante. Além do trabalho artístico, destaca a confiança recebida da diretoria e o acolhimento dos brincantes.
“A diretoria nos recebeu muito bem, nos acolheu, confiou no nosso trabalho. Os brincantes tiveram essa dedicação, mesmo com pouco tempo, e acreditaram no nosso trabalho.”
O resultado final transformaria aquelas duas semanas em uma lembrança especial para os dois profissionais. Mas, antes da apuração, ainda havia uma apresentação inteira a ser executada, e uma equipe de bastidores responsável por garantir que cada detalhe chegasse à arena conforme o planejado.
Urucará, Amazonas, Brasil. 6/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. Apuração das notas do Festival. Na foto, integrantes das associações acompanham a apuração. Foto: Raphael Alves
Os bastidores e as histórias de quem viveu a conquista
Enquanto a equipe artística trabalhava para concluir o espetáculo, outra parte da Junina Aparecida se dedicava a uma tarefa igualmente decisiva: garantir que tudo estivesse pronto para a entrada na arena. Figurinos, adereços, documentação, horários e organização dos brincantes precisavam ser conferidos para evitar problemas que pudessem comprometer a apresentação.
Entre as responsáveis por esse trabalho estava Shirley Santos, fiscal da agremiação. Ao longo de sua trajetória na Aparecida, ela já havia atuado na coordenação, no cabelo, na maquiagem e em outras funções de apoio. Em 2026, assumiu novamente a responsabilidade de acompanhar os detalhes que, muitas vezes, passam despercebidos pelo público.
Urucará, Amazonas, Brasil. 5/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. Noite de apresentações no Festival. Na imagem, arquibancada da galera da Junina Aparecida. Foto: Raphael Alves
“Ser fiscal é ser os olhos da quadrilha na arena e fora da arena. É garantir que tudo o que foi planejado seja executado da melhor forma possível, dentro das regras, dos horários e com disciplina.”
Shirley divide a função com Rony e Jorge. O trabalho começa antes mesmo da apresentação, com a conferência das listas de brincantes, documentos e credenciais. Durante os ensaios, a equipe também procura identificar possíveis irregularidades para que sejam corrigidas antes da competição.
Na reta final, a atenção se volta para cada elemento que será levado à arena.
“Conferimos chapéu por chapéu, roupa por roupa, adereço por adereço. E ainda fazemos o papel de psicóloga, mãe e amiga dos brincantes para acalmar o nervosismo de todos.”
Urucará, Amazonas, Brasil. 6/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. Apuração das notas do Festival.. Foto: Raphael Alves
A preocupação tem uma razão objetiva. O regulamento do festival prevê critérios específicos para os itens avaliados e estabelece exigências que precisam ser cumpridas pelas associações. Um detalhe aparentemente pequeno pode resultar em penalização e comprometer o trabalho de meses.
Além da fiscalização interna, Shirley explica que um representante de cada quadrilha acompanha os jurados desde a saída de Itapiranga até a chegada à arena, conforme os procedimentos estabelecidos para a competição. O contato com os avaliadores, entretanto, é proibido.
Para ela, a função exige atenção constante e capacidade de lidar com situações que surgem de última hora.
“É um trabalho de formiguinha, mas feito com muito amor e responsabilidade.”
Urucará, Amazonas, Brasil. 5/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. Noite de apresentações no Festival. Na imagem, arquibancada da galera da Junina Aparecida. Foto: Raphael Alves
O abraço que o público não viu
A responsabilidade dos fiscais também ultrapassa os aspectos técnicos. Durante a preparação, Shirley acompanhou o desgaste físico e emocional dos brincantes, especialmente nos últimos dias, quando a proximidade do festival aumentava a ansiedade.
Um episódio ocorrido na véspera da apresentação ficou marcado em sua memória.
Um dos integrantes começou a chorar e afirmou que não conseguiria entrar na arena. O nervosismo havia se tornado maior do que a confiança construída durante os ensaios.
A reação do grupo foi interromper o que estava fazendo e acolher o brincante.
“A gente fez uma roda, abraçou, rezou, como sempre fazemos no final dos ensaios. Naquele abraço, a quadrilha virou uma família. O público não viu isso, mas foi aquele abraço que nos deu o título.”
Para Shirley, aquele momento sintetizou a união necessária para que a Aparecida chegasse à competição. O espetáculo dependia de coreografias, figurinos e organização, mas também de pessoas capazes de sustentar umas às outras quando o cansaço e a pressão ameaçavam o grupo.
Urucará, Amazonas, Brasil. 5/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. Noite de apresentações no Festival. Na foto, apresentação da Junina Aparecida. Foto: Raphael Alves
Sete anos depois, Kevelly voltou para terminar uma história
Para Kevelly de Andrade, representante da Junina Aparecida no item Casal de Noivos, a temporada de 2026 teve um significado particular. Ela não estava apenas participando de mais uma edição do festival. Estava retomando uma trajetória interrompida sete anos antes.
Kevelly entrou para a agremiação em 2018, quando integrou a segunda fila do cordão. No ano seguinte, aos 20 anos, recebeu a oportunidade de defender o item 2, Casal de Noivos.
Mas 2019 também marcou sua saída.
“Tive altos e baixos dentro da agremiação e infelizmente tive que abrir mão do cargo.”
Depois daquele período, permaneceu sete anos afastada da Junina Aparecida. Quando decidiu retornar em 2026, voltou justamente para ocupar novamente o posto de noiva.
A escolha carregava uma responsabilidade pessoal.
“Esse retorno significa superação. Eu tinha que reverter aquilo que ficou estagnado lá em 2019, junto da quadrilha. Esse ano voltei com uma responsabilidade muito grande: ou era tudo ou era nada.”
A preparação foi ainda mais difícil porque Kevelly mora e estuda em Manaus. Durante os meses de ensaio, precisou dividir sua rotina entre a capital e Urucará, conciliando os compromissos acadêmicos com a preparação para o festival.
“Eu tinha que estar lá e aqui ao mesmo tempo. Era um desgaste físico e mental muito grande.”
Urucará, Amazonas, Brasil. 4/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. Os trabalhos no “QG” da Associação Cultural Junina Aparecida, no bairro Aparecida. Na foto, Saymon Monteiro, 20, noivo da quadrilha, e Kevellyn de Andrade, noiva da quadrilha. Foto: Raphael Alves
Na arena, Kevelly interpretou Rosinha, enquanto seu parceiro, Saymon, deu vida a João Vicente. Os personagens pertenciam a famílias identificadas por cores diferentes: a família verde, do noivo, e a rosa, da noiva.
Os pais de ambos não aceitavam o relacionamento. A narrativa, entretanto, acompanhava a resistência do casal diante dessa oposição.
“Independentemente da dificuldade, lutamos para ficarmos juntos e conseguimos.”
A história dialogava diretamente com o tema “Entre duas cores, um só coração”, apresentado pela Junina Aparecida em 2026.
Para Kevelly, o retorno ao item também representou a oportunidade de deixar uma marca pessoal no festival. Ela afirma que o reconhecimento recebido do público ao longo de sua trajetória tornou a experiência ainda mais especial.
“Representa um legado maravilhoso que deixo no Festival de Quadrilhas de Urucará. Sou muito querida e ovacionada como a melhor noiva que esse festival já teve, a mais arretada e agora a noiva pé-quente desse festival.”
A brincante também fez questão de agradecer às pessoas que acompanharam sua trajetória e ao parceiro de apresentação.
“Muito obrigada a todos que incansavelmente me admiram e me apoiam. Sem vocês nada disso seria possível. E ao meu noivo Saymon, você é perfeito. Nunca esqueça disso. Obrigada por tudo.”
Urucará, Amazonas, Brasil. 5/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. Noite de apresentações no Festival. Na foto, apresentação da Junina Aparecida. Foto: Raphael Alves
Aos 17 anos, Andria conquista a realeza
A temporada também foi especial para Andria Isabely Pires Marques, de 17 anos, que conquistou o título do Casal Realeza ao lado de Júlio César.
Andria começou sua relação com a Junina Aparecida como torcedora. Em 2023, passou a integrar a quadrilha como brincante e, em 2025, ganhou destaque para disputar o item realeza.
Júlio César já havia representado a associação como rei em anos anteriores, mas 2026 marcou a primeira vez em que os dois competiram juntos como itens oficiais.
A preparação exigiu dedicação intensa.
Urucará, Amazonas, Brasil. 4/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. Os trabalhos no “QG” da Associação Cultural Junina Aparecida, no bairro Aparecida. Na foto, Isabelly Pires, 17, rainha da quadrilha. Foto: Raphael Alves
“Foram dias e noites de ensaio e até mesmo madrugadas para aperfeiçoar nossas coreografias.”
Andria conta que o processo foi acompanhado por ansiedade e incertezas. Havia o desejo de conquistar o título individual, mas também a responsabilidade de contribuir para o resultado geral da agremiação.
“Havia as adversidades, as incertezas se realmente íamos conseguir conquistar aquilo que a gente almejava. Mas continuamos firmes na nossa caminhada, nos nossos ensaios.”
Na arena, a dupla procurou transmitir segurança e representar a identidade da Junina Aparecida por meio da dança.
“Nós estávamos no intuito de conquistar o público e principalmente os jurados, com a nossa dança, elegância e carisma, mostrar realmente o que é viver o São João e representar a força da Junina Aparecida.”
Urucará, Amazonas, Brasil. 6/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. A festa da vitória da Associação Cultural Junina Aparecida, pela primeira vez campeão do Festival. Foto: Raphael Alves
O regulamento estabelece que o Casal Realeza é avaliado por figurino, desenvoltura, relação com o tema e integração com o grupo folclórico. Para Andria, a preparação envolveu trabalhar esses aspectos sem perder a expressão e a conexão com o público.
Quando o resultado confirmou a vitória, veio a sensação de que todo o esforço havia sido recompensado.
“A sensação de ganhar o prêmio de realeza é gratificante demais, pois foram dias de preparo, dias de ansiedade, dias de lutas. Ganhar o prêmio é ter a certeza de que o nosso trabalho foi executado do jeito que desejávamos.”
A conquista ganhou ainda mais significado porque aconteceu na mesma noite em que a Junina Aparecida venceu o título geral.
Para a jovem rainha, a experiência já se transforma em motivação para a próxima temporada.
“Estamos firmes e fortes para o outro ano. Que venha a temporada 2027.”
Urucará, Amazonas, Brasil. 4/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. Os trabalhos no “QG” da Associação Cultural Junina Aparecida, no bairro Aparecida. Foto: Raphael Alves
Jozelma: da torcida aos bastidores da associação
A história de Jozelma Sarmento, de 35 anos, também se confunde com a trajetória recente da Junina Aparecida. Brincante e esposa do presidente Arthur Gama, ela acompanha a associação desde 2013, quando sua irmã participou como noiva da quadrilha, ainda no período em que o grupo era conhecido como Mancha Verde.
Naquele ano, Jozelma foi para a torcida e começou a se aproximar da agremiação.
Em 2018, sua filha, então com 12 anos, decidiu entrar para a quadrilha. Jozelma também tinha vontade de dançar, mas os estudos e as viagens dificultavam sua participação.
Somente em 2022 conseguiu se tornar brincante.
Urucará, Amazonas, Brasil. 4/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. Os trabalhos no “QG” da Associação Cultural Junina Aparecida, no bairro Aparecida. Na foto, Jozelma Sarmento, 35, esposa do presidete, emocionada durante os trabalhos. Foto: Raphael Alves
A partir de 2023, quando começou a se relacionar com Arthur, passou a participar ainda mais intensamente do cotidiano da associação.
Hoje, além de dançar, ajuda na produção de figurinos e adereços, na venda de bingos, mesas e camisas e em diferentes atividades necessárias para manter a quadrilha em funcionamento.
“Cada pedrinha que a gente põe na roupa, para mim é uma terapia.”
Durante os meses que antecederam o festival, a rotina se tornou especialmente intensa. Jozelma precisava conciliar trabalho, compromissos pessoais, produção e ensaios.
Nos últimos dias, conta que sua casa praticamente servia apenas como lugar para dormir.
“Não foi fácil, mas o amor que a gente tem pela nossa quadrilha faz a gente fazer de tudo para levar ela para a quadra.”
A dedicação também vinha acompanhada de preocupação. Durante uma visita anterior da reportagem, Jozelma chegou a chorar ao falar sobre o acúmulo de tarefas e o medo de que algo não saísse conforme o planejado.
Para ela, cada detalhe carregava o esforço de pessoas que desejavam ver a Aparecida finalmente conquistar o título.
Urucará, Amazonas, Brasil. 6/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. A festa da vitória da Associação Cultural Junina Aparecida, pela primeira vez campeão do Festival. Foto: Raphael Alves
A apuração e o título que mobilizou o bairro
Depois de meses de preparação, a Junina Aparecida chegou à arena com o espetáculo que havia sido construído e ajustado até os últimos dias. A apresentação reuniu a narrativa de Rosinha e João Vicente, a participação dos casais de itens, o trabalho coreográfico, os figurinos e os efeitos pensados para marcar a entrada e a saída da quadrilha.
Para Shirley Santos, assistir à apresentação depois de acompanhar tantos detalhes da preparação foi uma experiência diferente daquela vivida pelo público.
“Quando vi eles entrando na arena impecáveis, com um sorriso no rosto, meu coração disparou. Eu não assisti como fiscal, eu assisti como mãe, com o coração na mão.”
A fiscal conta que permaneceu atenta durante toda a apresentação, torcendo para que os brincantes conseguissem executar aquilo que havia sido ensaiado e para que nenhum problema comprometesse o resultado.
A tensão, entretanto, não terminou com a saída da arena.
Ainda havia a apuração.
Urucará, Amazonas, Brasil. 6/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. A festa da vitória da Associação Cultural Junina Aparecida, pela primeira vez campeão do Festival. Foto: Raphael Alves
A penúltima nota
O coordenador-geral Douglas Azevedo acompanhava a leitura das notas fazendo as contas. A cada resultado, a possibilidade de vitória se tornava mais concreta.
Quando a penúltima nota foi anunciada, ele percebeu que a Junina Aparecida havia alcançado o resultado que tanto esperava.
“Quando saiu a penúltima nota, eu já sabia que a gente ia ser campeão. Então eu já estava aos prantos, e a comunidade precisava disso.”
Douglas afirma que a emoção estava ligada à trajetória recente da associação, marcada por campanhas em que o título havia escapado por pequenas diferenças.
“A gente vinha batendo na trave há anos. Todo mundo estava esperando por esse momento.”
Urucará, Amazonas, Brasil. 6/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. A festa da vitória da Associação Cultural Junina Aparecida, pela primeira vez campeão do Festival. Foto: Raphael Alves
Para ele, a conquista também confirmou a importância do trabalho coletivo realizado durante a preparação.
“Para mim foi a união, o conjunto de tudo. Isso foi fundamental para chegar a um resultado.”
O coordenador destaca ainda a evolução dos figurinos e adereços. Segundo ele, a equipe conseguiu trabalhar melhor as cores da associação e alcançar um resultado que considerava inédito no item figurino.
“Esse ano a gente veio com as cores certas mesmo, e isso fez com que a Junina pegasse notas altas na questão figurino. Foi a primeira vez da história que ela gabaritou.”
Urucará, Amazonas, Brasil. 6/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. A festa da vitória da Associação Cultural Junina Aparecida, pela primeira vez campeão do Festival. Foto: Raphael AlvesUrucará, Amazonas, Brasil. 6/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. A festa da vitória da Associação Cultural Junina Aparecida, pela primeira vez campeão do Festival. Foto: Raphael Alves
A conquista da Junina Aparecida foi definida na arena, mas começou muito antes da noite de 5 de setembro.
Foi construída nos ensaios iniciados em maio, nas mudanças de temática, nas duas semanas de trabalho intenso com profissionais de Manicoré e nos ajustes realizados até a reta final. Passou pelas mãos de quem confeccionou figurinos, preparou adereços, organizou alegorias, conferiu documentos e acompanhou cada brincante antes da apresentação.
Também foi construída em histórias pessoais que encontraram no festival um significado próprio.
Urucará, Amazonas, Brasil. 6/09/2026. 26º Festival Folclórico de Quadrilhas Estilizadas de Urucará. A festa da vitória da Associação Cultural Junina Aparecida, pela primeira vez campeão do Festival. Foto: Raphael Alves
Na trajetória de Kevelly, que voltou depois de sete anos para defender novamente o item Casal de Noivos. Na dedicação de Andria Isabely, que aos 17 anos conquistou a realeza ao lado de Júlio César. Na rotina de Jozelma, que dividiu trabalho, família e produção até receber a notícia da vitória dentro de casa. No cuidado de Shirley, que viu a quadrilha se transformar em uma roda de acolhimento na véspera da competição.
Para Arthur, o título trouxe alívio. Para Douglas, lágrimas antes mesmo da última nota. Para Maisa e Franklin, a realização de um trabalho intenso em uma cidade que os acolheu. Para os brincantes, a confirmação de que o esforço coletivo havia alcançado o resultado esperado.
A Junina Aparecida encerrou a 26ª edição do Festival de Quadrilhas Estilizadas de Urucará com o título geral e a conquista do Casal Realeza. Para a comunidade que acompanhou sua trajetória, a noite passou a representar um capítulo especial de sua história.