Entre os mais de 70 expositores da EcoAmazônia 2026, realizada no Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus na última semana, a empreendedora Elijane Nogueira chamou atenção ao apresentar o trabalho da Yanciã, marca amazonense que une moda sustentável, bioeconomia e valorização dos saberes tradicionais da floresta.
Realizada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) do Governo do Amazonas, durante três dias, a feira reuniu iniciativas voltadas à conservação ambiental e ao empreendedorismo sustentável, consolidando-se como uma vitrine para negócios de impacto socioambiental positivo.
Fundadora e diretora da Yanciã, Elijane construiu uma trajetória que conecta pesquisa, design e responsabilidade socioambiental. Graduada em Direito pela Universidade Federal do Amazonas e especialista em Ciências Criminais, ela migrou para o campo da moda sustentável após aprofundar estudos sobre mudanças climáticas, bioeconomia e desenvolvimento local. “Não podemos jamais ignorar os saberes ancestrais, por exemplo, ao precificar um produto. Temos de dar valor a este conhecimento”, diz a empreendedora ambiental.
A marca nasceu em 2021 com a proposta de valorizar a cultura e os conhecimentos tradicionais das comunidades amazônicas por meio da inserção do artesanato em mercados contemporâneos. “Atualmente, temos como público alvo não apenas o local, mas aquele nacional e internacional, com a nossa participação em feiras na Itália, por exemplo”, destaca Elijane.
No stand da EcoAmazônia, a empreendedora apresentou acessórios, biojoias e peças produzidas a partir de fibras vegetais, sementes, pigmentos naturais e materiais reaproveitados da Amazônia, os chamados produtos não madeireiros, coletados na floresta sem impacto. O trabalho é desenvolvido em parceria com mais de cinquenta artesãs e coletivos de diferentes comunidades, fortalecendo cadeias produtivas locais e agregando valor aos produtos da sociobiodiversidade amazônica.
Mais do que comercializar produtos, Elijane atua como curadora e articuladora entre os conhecimentos tradicionais e o mercado da moda. Com uma trajetória de empreendedora já ultrapassando fronteiras, ela tem sido convidada para debates nacionais sobre bioeconomia, moda regenerativa e desenvolvimento sustentável.
Para Elijane, iniciativas como a EcoAmazônia ajudam a aproximar consumidores, empreendedores e comunidades tradicionais, demonstrando que é possível gerar renda, promover inovação e conservar a floresta ao mesmo tempo. Sua presença no evento reforça o papel crescente da moda sustentável como uma das expressões mais criativas e promissoras da bioeconomia amazônica. “Uma oportunidade para apresentar a marca e o trabalho desses profissionais tão criativos para o público local”, finaliza.

