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El Niño pode atingir uma das maiores intensidades desde 1950

Boletim conjunto de órgãos federais aponta 95% de probabilidade de intensidade muito forte entre outubro e dezembro, com impactos distintos nas regiões brasileiras

O El Niño deve atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026, segundo o quarto boletim do Painel El Niño, divulgado por órgãos federais de monitoramento climático. O documento aponta 95% de probabilidade de ocorrência nessa categoria e indica que o fenômeno pode estar entre os mais intensos registrados desde 1950.

O fenômeno foi confirmado em junho e vem apresentando intensificação do aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial. No fim de setembro, as anomalias de temperatura da superfície do mar nas regiões central e leste do Pacífico ultrapassaram 2 °C, de acordo com dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).

Projeções anteriores do INMET já apontavam a possibilidade de um episódio excepcionalmente intenso. Em agosto, o instituto informou que havia 69% de probabilidade de o fenômeno alcançar a maior intensidade registrada desde 1950, com possibilidade de as anomalias chegarem a 2,5 °C ou mais.

Para o trimestre de outubro a dezembro, os modelos indicam maior probabilidade de chuvas acima da média na Região Sul, em parte do Sudeste e no leste do Nordeste. Já grande parte do Norte, além de áreas do Nordeste e do Centro-Oeste, deve registrar chuvas abaixo da média. As temperaturas também tendem a permanecer acima do normal em grande parte do país.

Na Região Norte, o cenário de menor ocorrência de chuvas e temperaturas elevadas aumenta a preocupação com a seca e o risco de incêndios. Dados parciais de setembro do Cemaden mostram avanço do número de municípios em situação de seca extrema e severa, com agravamento registrado principalmente no Amazonas, Roraima e Acre.

No Amazonas, o quadro também pode afetar a navegação e o abastecimento de água em áreas atingidas pela redução dos níveis dos rios. O boletim destaca que municípios do estado já apresentam dificuldades relacionadas à captação de água e à navegação.

No Sul do país, a situação é oposta. A previsão de chuvas acima da média mantém o risco de elevação dos níveis dos rios e de novas cheias. Em setembro, chuvas volumosas já provocaram inundações em áreas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

O Painel El Niño é elaborado conjuntamente pelo INMET, INPE, Cemaden, Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Serviço Geológico do Brasil (SGB), Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC) e Censipam. As instituições ressaltam que as projeções representam tendências sazonais e que os impactos podem variar conforme a evolução das condições meteorológicas em cada região.

O fenômeno deve permanecer ativo pelo menos até o primeiro trimestre de 2027, segundo as projeções atuais.

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