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COP31 abre em Antália com foco na ação climática; Brasil levará três documentos estratégicos à conferência

Encontro da ONU ocorre de 9 a 20 de novembro, na Turquia, e terá entre os principais temas a transição para longe dos combustíveis fósseis, o combate ao desmatamento e o financiamento climático internacional.

A cidade de Antália, na Turquia, recebe, de 9 a 20 de novembro de 2026, a 31ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP31), reunindo representantes de governos, cientistas, organizações ambientais, povos indígenas, empresas e integrantes da sociedade civil para discutir medidas de enfrentamento à crise climática. A conferência terá como um dos principais desafios transformar compromissos internacionais em ações concretas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e limitar o aquecimento global.

O Brasil chega à conferência com uma agenda voltada à continuidade dos compromissos climáticos discutidos na COP30, realizada em Belém, no Pará, em 2025. Entre as iniciativas previstas estão três documentos estratégicos: um mapa do caminho para a transição para longe dos combustíveis fósseis, outro para interromper e reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030 e uma proposta relacionada à mobilização de recursos para o financiamento climático internacional.

A preparação desses documentos busca dar continuidade às discussões iniciadas durante a presidência brasileira da COP30 e contribuir para que os países avancem na implementação das metas climáticas. As iniciativas também colocam em evidência desafios que envolvem a transformação dos sistemas energéticos, a proteção das florestas e a necessidade de ampliar os recursos destinados aos países em desenvolvimento.

Transição energética está entre as prioridades brasileiras

Um dos principais destaques da agenda brasileira é o mapa do caminho para a transição para longe dos combustíveis fósseis, como petróleo, carvão mineral e gás natural. A iniciativa pretende reunir informações, identificar oportunidades e estimular o diálogo internacional sobre alternativas para reduzir a dependência dessas fontes de energia de maneira justa, ordenada e equitativa.

O tema ganhou força nas negociações climáticas internacionais após a COP28, realizada em Dubai, em 2023, quando os países aprovaram um compromisso relacionado à transição para longe dos combustíveis fósseis nos sistemas energéticos. Desde então, a implementação desse compromisso permanece entre os pontos de debate sobre como acelerar a redução das emissões sem desconsiderar as diferenças econômicas e sociais entre as nações.

A proposta brasileira deverá contribuir para organizar caminhos possíveis para essa transformação, considerando as condições de cada país, a segurança energética, os impactos econômicos e a necessidade de ampliar o acesso a fontes de energia de menor emissão de carbono.

Combate ao desmatamento e proteção das florestas

O segundo documento previsto trata do combate ao desmatamento e à degradação florestal, com a perspectiva de interromper e reverter esses processos até 2030. A iniciativa reforça a importância da conservação das florestas para a redução das emissões, a manutenção da biodiversidade e a proteção dos territórios e das populações que dependem desses ecossistemas.

Para o Brasil, que abriga parte significativa da Amazônia e outros biomas estratégicos, o tema possui relevância ambiental, econômica e internacional. A agenda envolve o fortalecimento de políticas de conservação, o incentivo a atividades produtivas sustentáveis e a cooperação entre países para enfrentar as causas da perda de cobertura vegetal.

A proposta também dialoga com a necessidade de conciliar desenvolvimento econômico, geração de renda e proteção ambiental, especialmente em regiões onde as comunidades dependem diretamente dos recursos naturais.

Financiamento climático busca ampliar recursos internacionais

O terceiro eixo da agenda está relacionado ao financiamento climático. O objetivo é dar continuidade às discussões sobre como mobilizar recursos em escala suficiente para apoiar medidas de redução de emissões, adaptação às mudanças climáticas e desenvolvimento de tecnologias mais sustentáveis.

Nesse contexto, a chamada Rota de Baku a Belém estabeleceu como referência a mobilização de US$ 1,3 trilhão por ano em financiamento climático até 2035. A iniciativa envolve o desafio de ampliar os recursos disponíveis e identificar mecanismos que permitam transformar compromissos financeiros em investimentos efetivos.

Os recursos são considerados fundamentais para países em desenvolvimento, que enfrentam dificuldades para financiar obras de adaptação, sistemas de prevenção de desastres, infraestrutura resiliente e projetos de transição energética. O debate também envolve a participação de governos, bancos multilaterais, instituições financeiras e setor privado.

COP31 terá negociações e participação de lideranças mundiais

Além dos documentos brasileiros, a programação da COP31 prevê discussões sobre energia, transportes, agricultura, saúde, financiamento, comércio, tecnologia, oceanos, biodiversidade e desenvolvimento social. A cúpula de líderes mundiais está programada para os dias 11 e 12 de novembro, durante a conferência.

A organização é conduzida pela Turquia, país anfitrião, em parceria com a Austrália, responsável por liderar as negociações. Entre os objetivos anunciados estão fortalecer a cooperação internacional, impulsionar a implementação dos compromissos climáticos e manter o limite de 1,5 °C de aquecimento global como referência central dos esforços internacionais.

A COP31 também deverá discutir como ampliar o apoio às populações mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas, incluindo comunidades costeiras e pequenos países insulares ameaçados pela elevação do nível do mar.

Brasil busca transformar compromissos em ações concretas

A apresentação dos três documentos representa uma das frentes da atuação brasileira no processo internacional de enfrentamento à crise climática. A expectativa é contribuir para que as discussões sobre combustíveis fósseis, florestas e financiamento avancem para propostas capazes de orientar políticas públicas e investimentos.

O alcance dessas iniciativas dependerá da participação dos países, da capacidade de construir consensos e da mobilização de recursos financeiros e técnicos. Como as decisões das conferências climáticas são resultado de negociações multilaterais, a transformação das propostas em medidas efetivas exigirá cooperação entre governos e diferentes setores da sociedade.

Com a COP31, a comunidade internacional terá mais uma oportunidade de avaliar os avanços desde o Acordo de Paris e definir os próximos passos para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas. Para o Brasil, o encontro também será uma ocasião para dar continuidade à agenda construída em Belém e reforçar a importância da transição energética, da proteção das florestas e do financiamento climático na resposta global à crise.

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