Com maioria feminina entre os cooperados, Coopama reúne artesãos que transformam sementes, madeiras e fibras amazônicas em biojoias e peças de decoração, encontrando no trabalho coletivo uma forma de ampliar mercado e oportunidades
Sementes, fibras e madeiras encontradas na Amazônia ganham novas formas nas mãos de artesãos que transformam matérias-primas regionais em biojoias, objetos de decoração e diferentes peças artesanais. Por trás dos produtos, o trabalho coletivo também tem contribuído para criar oportunidades de comercialização e geração de renda, especialmente entre mulheres.
Essa é uma das propostas da Coopama, cooperativa de artesãos do Amazonas que reúne profissionais para apoiar a produção, desenvolver ideias e, principalmente, criar caminhos para que os produtos de seus cooperados cheguem ao mercado.
A presença feminina é predominante. Segundo Dallas Castro, diretor-presidente da Coopama, a cooperativa conta atualmente com mais de 12 mulheres, além de dois homens envolvidos no trabalho artesanal.
“A nossa cooperativa foi criada com o intuito de ajudar as mulheres também, promover as vendas delas, ajudar na confecção dos produtos, dar ideias e fazer de tudo para que a gente consiga expor os produtos e o trabalho delas”, explicou.
Durante a 48ª Expoagro, a Coopama esteve entre as cooperativas que apresentaram seus produtos ao público, mostrando como o cooperativismo pode funcionar como instrumento para pequenos produtores e artesãos ampliarem a visibilidade de seus negócios.
Mulheres são maioria na cooperativa
O perfil da Coopama ajuda a revelar a presença das mulheres no artesanato amazonense.
“Temos mais de 12 mulheres. São dois homens e 12 mulheres que também são artesãs”, contou Dallas.
Segundo o presidente, embora a cooperativa trabalhe com diferentes tipos de artesanato, atualmente um dos segmentos de maior destaque é o de peças para decoração.
“Nosso forte agora é decoração, mas temos outras coisas também”, afirmou.
Mais do que reunir os produtos, a proposta é trabalhar coletivamente para que as ideias das cooperadas possam ser desenvolvidas e comercializadas.
Para quem produz artesanalmente e em pequena escala, conseguir espaços de exposição é uma etapa importante do negócio. A qualidade do produto, por si só, não garante renda se o artesão não tiver acesso aos consumidores.
É nesse ponto que a organização em cooperativa passa a ter papel estratégico.
Sementes, madeiras e fibras ganham novas formas
A artesã Luana Brenches, cooperada da Coopama, trabalha justamente com matérias-primas características da região.
“Nós trabalhamos com produtos da nossa região, com sementes, madeiras e fibras. Produzimos artesanato, tanto biojoias como decoração”, explicou.
O grupo é de Manaus e, segundo Luana, a maior parte dos integrantes também é formada por mulheres.
Nas mãos das artesãs, elementos amazônicos deixam de ser apenas matéria-prima e passam a compor produtos com identidade regional.
Esse processo também contribui para valorizar conhecimentos associados ao trabalho manual e criar produtos capazes de representar elementos da própria Amazônia para quem compra.
Artesanato como caminho para independência financeira
Para Luana, porém, o impacto do trabalho vai além da produção das peças.
A artesã destaca que a atividade tem ajudado mulheres a conquistar renda própria e encontrar espaço no mercado de trabalho.
“O artesanato tem ajudado muito todas nós, mulheres, na independência financeira e também a nos colocar no mercado de trabalho, mostrando o nosso trabalho e gerando nossa renda”, afirmou.
A fala evidencia uma dimensão importante do cooperativismo: ao transformar uma habilidade individual em uma atividade organizada coletivamente, as participantes conseguem ampliar as possibilidades de comercialização.
Para mulheres que encontram no artesanato uma alternativa de renda, ter acesso a feiras, exposições e novos consumidores pode representar a diferença entre produzir ocasionalmente e conseguir estruturar uma atividade econômica.
Trabalho coletivo amplia oportunidades
Luana também destaca que participar de uma cooperativa trouxe aprendizados que ultrapassam a confecção das peças.
“Tem sido muito importante fazer parte da cooperativa porque a gente tem aprendido muito, tanto a trabalhar em equipe, como coletivo, quanto a divulgar os nossos produtos”, contou.
A lógica cooperativista permite que artesãos que individualmente teriam menor capacidade de exposição possam compartilhar oportunidades e fortalecer a apresentação de seus produtos.
Em vez de cada integrante buscar sozinho espaços de comercialização, a organização coletiva ajuda a reunir diferentes peças em uma mesma vitrine e apresentar uma produção mais diversificada.
Segundo Luana, os produtos apresentados durante o evento tiveram boa receptividade do público.
“Tem tido uma boa aceitação dos nossos produtos e tem sido muito bom”, avaliou.
Apoio abre espaço para comercialização
A participação da Coopama na Expoagro contou também com apoio do Sistema OCB/Sescoop-AM, que disponibilizou estrutura para cooperativas apresentarem seus produtos durante o evento.
Luana ressaltou que esse suporte permitiu que o grupo se concentrasse em levar a própria produção para exposição.
“A gente trouxe o nosso produto e o estande foi disponibilizado para nós. Temos que agradecer por esse apoio, que tem ajudado muitas cooperativas”, afirmou.
A iniciativa amplia uma das funções importantes das feiras para pequenos empreendedores: além das vendas realizadas durante o evento, a exposição permite divulgar marcas, apresentar produtos e criar contatos que podem resultar em encomendas posteriores.
Da matéria-prima amazônica à geração de renda
A experiência da Coopama une diferentes elementos de uma mesma cadeia: matérias-primas regionais, conhecimento artesanal, empreendedorismo feminino e organização cooperativista.
Para Dallas, apoiar as cooperadas desde a elaboração das ideias até a exposição dos produtos está entre as razões de existência da organização. Para Luana, estar nesse coletivo representa não apenas vender artesanato, mas aprender a trabalhar em equipe, divulgar a produção e construir maior independência financeira.
Em uma cooperativa formada majoritariamente por mulheres, sementes, fibras e madeiras amazônicas acabam adquirindo um valor que ultrapassa o produto final.
Ao serem transformadas em biojoias e peças de decoração, elas também se tornam instrumentos de trabalho, renda e autonomia para artesãs que encontraram no cooperativismo uma forma de levar o que produzem a novos mercados.

