Agremiação venceu disputa com 279,8 pontos ao levar para a arena o tema “Terricídio: Quando a Terra Enfrenta o Genocídio”; Guerreiros Mura ficou em segundo lugar e Flor Matizada participou como hors-concours
A Ciranda Tradicional é a grande campeã do 28º Festival de Cirandas de Manacapuru. A agremiação conquistou o bicampeonato ao somar 279,8 pontos na apuração realizada na segunda-feira (31), no Parque do Ingá, após um fim de semana marcado pelas apresentações de um dos principais eventos culturais do interior do Amazonas.
A Tradicional levou para a arena o tema “Terricídio: Quando a Terra Enfrenta o Genocídio”, construindo um espetáculo em torno da defesa da Amazônia, da relação dos povos tradicionais com o território e das ameaças enfrentadas pela floresta.
Com a vitória, a ciranda manteve o título conquistado na edição anterior e confirmou o bicampeonato do festival.
A Ciranda Guerreiros Mura terminou a disputa na segunda colocação, com 278,6 pontos, diferença de apenas 1,2 ponto para a campeã. A agremiação apresentou o tema “Ykawarú: A cosmogonia do bem e do mal Apuricá”.
Além do título principal, a Tradicional também conquistou o reconhecimento de Melhor Torcida, com a Torcida Oficial da Tradicional (TOT).

Espetáculo levou defesa da Amazônia à arena
O tema apresentado pela campeã colocou questões ambientais e sociais no centro do espetáculo.
Com “Terricídio: Quando a Terra Enfrenta o Genocídio”, a Tradicional utilizou elementos cênicos, coreográficos e musicais para abordar a destruição dos territórios e a resistência de populações que mantêm relação histórica com a floresta.
A proposta aproximou o universo das cirandas de debates contemporâneos sobre preservação ambiental e proteção dos povos amazônicos, utilizando a manifestação popular como instrumento para contar histórias e discutir questões relacionadas à própria região onde o festival é realizado.
A temática também reforça uma característica das grandes manifestações folclóricas amazonenses: a capacidade de combinar entretenimento, identidade regional, memória e narrativas sobre a Amazônia.
Flor Matizada transforma apresentação em homenagem
A edição de 2026 também foi marcada por um momento de homenagem.
A Ciranda Flor Matizada decidiu não participar da competição após a morte de Jone Salgado, artista plástico que integrava a equipe responsável pela montagem das alegorias da agremiação.
Em respeito ao artista, a ciranda realizou sua apresentação sem disputar as notas com Tradicional e Guerreiros Mura.
A participação foi reconhecida como hors-concours, com uma certificação de honra pela apresentação no festival.
A decisão deu um caráter diferente à passagem da Flor Matizada pelo Parque do Ingá, transformando o espetáculo também em uma homenagem ao profissional que contribuiu para a construção visual da ciranda.
Festival é patrimônio cultural de Manacapuru
Realizado anualmente em Manacapuru, a cerca de 68 quilômetros em linha reta de Manaus, o Festival de Cirandas reúne as três agremiações tradicionais do município, Tradicional, Guerreiros Mura e Flor Matizada.
As apresentações combinam música, dança, alegorias, figurinos, cenografia e personagens próprios, mobilizando artistas, brincantes, artesãos, costureiros, músicos e trabalhadores envolvidos na preparação dos espetáculos.
Ao longo dos anos, a disputa ultrapassou os limites do município e passou a integrar o calendário dos grandes eventos culturais do Amazonas, ao lado de manifestações tradicionais realizadas em outras cidades do interior.
O festival também movimenta setores ligados ao turismo e à economia criativa. Durante o período das apresentações, Manacapuru recebe visitantes de Manaus e de outros municípios, ampliando a demanda por transporte, alimentação, hospedagem, comércio e serviços.
Para além da disputa entre as agremiações, as cirandas funcionam como expressão da identidade cultural do município e ajudam a manter uma cadeia de produção artística que se estende por meses antes das apresentações no Parque do Ingá.
Resultado do 28º Festival de Cirandas de Manacapuru
1º lugar — Ciranda Tradicional: 279,8 pontos
Tema: “Terricídio: Quando a Terra Enfrenta o Genocídio”
2º lugar — Ciranda Guerreiros Mura: 278,6 pontos
Tema: “Ykawarú: A cosmogonia do bem e do mal Apuricá”
Hors-concours — Ciranda Flor Matizada
Apresentação realizada em homenagem ao artista plástico Jone Salgado.
Com apenas 1,2 ponto separando as duas concorrentes, a edição de 2026 terminou com a Tradicional novamente no topo do Festival de Cirandas e com uma celebração que reuniu competição, memória e valorização da cultura popular amazônica.
Fontes: A Crítica, Portal Marcos Santos e informações da organização do Festival de Cirandas de Manacapuru.

