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Cientista do INPA coloca a Amazônia em destaque mundial e recebe prêmio internacional inédito para o Brasil

Adalberto Luís Val será o primeiro brasileiro a receber a Medalha Le Cren, uma das maiores honrarias da ciência voltada à conservação e biologia dos peixes

A ciência produzida na Amazônia acaba de conquistar um reconhecimento histórico. O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Adalberto Luís Val, será o primeiro brasileiro a receber a Medalha Le Cren, uma das mais importantes premiações internacionais dedicadas à biologia, fisiologia e conservação dos peixes. A homenagem será entregue pela Fisheries Society of the British Isles (FSBI), no dia 30 de julho, na Universidade de Southampton, na Inglaterra.

O reconhecimento internacional celebra quase cinco décadas de pesquisas dedicadas à compreensão dos peixes amazônicos e de sua capacidade de adaptação a ambientes extremos. Ao longo de sua trajetória, Adalberto Val transformou rios, lagos e igarapés da Amazônia em verdadeiros laboratórios naturais para investigar como espécies como o pirarucu e o tambaqui respondem a fatores como altas temperaturas, baixos níveis de oxigênio e às mudanças climáticas.

“A medalha reforça uma convicção antiga: ciência feita na Amazônia tem impacto global”, afirmou o pesquisador ao comentar a premiação.

Uma vida dedicada à Amazônia

Natural de Ribeirão Preto (SP), Adalberto Val chegou a Manaus em 1981 para desenvolver seus estudos de pós-graduação. Desde então, construiu uma das carreiras mais respeitadas da ciência brasileira. Pesquisador do INPA há mais de quatro décadas, foi diretor da instituição entre 2006 e 2014, vice-presidente regional Norte da Academia Brasileira de Ciências e coordenador de importantes projetos voltados ao estudo dos impactos das mudanças climáticas sobre a biodiversidade amazônica.

Sua produção científica inclui centenas de artigos, livros e capítulos publicados no Brasil e no exterior. Os estudos desenvolvidos por sua equipe ajudaram a compreender como os organismos amazônicos respondem às transformações ambientais e vêm contribuindo para pesquisas sobre biodiversidade, segurança alimentar, aquicultura e adaptação climática em diferentes partes do mundo.

Uma parceria científica construída a dois

A trajetória de Adalberto Val está profundamente ligada à da pesquisadora Vera Maria Fonseca de Almeida-Val, referência internacional em biologia molecular e ecofisiologia de organismos amazônicos.

Juntos, os cientistas fundaram o Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular (LEEM), um dos principais centros de pesquisa da Amazônia voltados ao estudo da adaptação dos peixes às condições ambientais da região. O trabalho desenvolvido pelo casal contribuiu para formar gerações de pesquisadores e consolidar o protagonismo do INPA na produção científica sobre a biodiversidade amazônica.

Amazônia como fonte de conhecimento para o mundo

Mais do que um reconhecimento individual, a Medalha Le Cren evidencia a importância da ciência produzida na Amazônia para enfrentar desafios globais como as mudanças climáticas, a conservação da biodiversidade e a segurança alimentar.

Os estudos liderados por Adalberto Val demonstram que os peixes amazônicos já enfrentam condições ambientais extremas e podem servir como indicadores importantes para compreender os impactos do aquecimento global sobre os ecossistemas aquáticos.

A premiação também reforça o papel estratégico do INPA como uma das principais instituições de pesquisa da região e mostra que a Amazônia não é apenas um território de riqueza natural, mas também um centro de produção de conhecimento científico reconhecido internacionalmente.

Para a comunidade científica amazônica, o prêmio representa uma conquista coletiva e um marco histórico que coloca a pesquisa desenvolvida na floresta entre as mais relevantes do planeta.

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