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China amplia compras de soja dos Estados Unidos e acende alerta para exportações brasileiras

País asiático adquiriu 978 mil toneladas do grão norte-americano em uma semana, enquanto preços mais elevados no Brasil aumentam a competitividade dos EUA no mercado internacional.

A China voltou a intensificar as compras de soja dos Estados Unidos e movimentou o mercado internacional da oleaginosa. Em apenas uma semana, o país asiático adquiriu 978 mil toneladas de soja norte-americana, todas referentes à safra 2026/27, reforçando a disputa entre Estados Unidos e Brasil pelo maior mercado consumidor mundial do grão.

O movimento ganhou força após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informar uma nova negociação de 238 mil toneladas com destino à China. Foi o terceiro anúncio de vendas para os chineses realizado durante a semana.

As compras ocorrem em um momento no qual a soja norte-americana ganhou competitividade em relação ao produto brasileiro. A queda recente das cotações nos Estados Unidos tornou o grão do país mais atrativo, enquanto a soja brasileira permanece valorizada.

A movimentação também está relacionada aos compromissos comerciais estabelecidos entre Pequim e Washington. A expectativa do mercado é de que as aquisições chinesas de soja norte-americana alcancem entre 20 milhões e 25 milhões de toneladas até o final de 2026. Informações de agentes do mercado chinês indicam ainda negociações envolvendo aproximadamente 6 milhões de toneladas adicionais para o início do ano comercial norte-americano, em setembro.

Mercado brasileiro acompanha avanço dos EUA

Embora a retomada das compras nos Estados Unidos aumente a concorrência, o Brasil continua ocupando posição estratégica no abastecimento chinês.

Entre janeiro e julho, a China importou 61,51 milhões de toneladas de soja, crescimento de 0,7% na comparação com igual período do ano anterior. Desse total, apenas 9,31 milhões de toneladas tiveram origem nos Estados Unidos, mantendo o Brasil como principal fornecedor do mercado chinês.

Somente em julho, as importações chinesas chegaram a 11,48 milhões de toneladas, volume 1,6% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025.

Do lado brasileiro, os embarques continuam em patamares elevados. Em julho, o país exportou 13,4 milhões de toneladas de soja, sendo aproximadamente 70% destinadas à China. O desempenho de outros mercados também chamou atenção: cerca de 4 milhões de toneladas foram enviadas para destinos diferentes do mercado chinês, estabelecendo um recorde para o mês.

Brasil já exportou 83 milhões de toneladas em 2026

No acumulado de janeiro a julho, as exportações brasileiras alcançaram 83 milhões de toneladas, avanço de 7,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

As vendas renderam aproximadamente US$ 35 bilhões, crescimento de 15,3% na comparação anual. A China respondeu por cerca de 70% dos embarques brasileiros, enquanto os outros 30% foram distribuídos principalmente entre países europeus, asiáticos e o México.

Apesar dos números positivos, o setor acompanha com atenção a mudança na relação de preços entre Brasil e Estados Unidos. Com a soja norte-americana mais competitiva, compradores chineses encontram maior incentivo para diversificar fornecedores, principalmente para os próximos meses.

Além das compras externas, a China vem realizando leilões de estoques de soja para atender à demanda de suas indústrias. Em poucas semanas, as operações anunciadas somam aproximadamente 1,5 milhão de toneladas, em um cenário de menor volume de soja contratado anteriormente na América do Sul.

A combinação entre preços elevados no mercado brasileiro, menor ritmo de comercialização dos produtores e recuperação da competitividade norte-americana coloca a disputa pela demanda chinesa novamente no centro das atenções. Mesmo mantendo ampla liderança nas exportações para a China, o Brasil deverá acompanhar de perto o avanço das vendas dos Estados Unidos durante a entrada da nova safra norte-americana no mercado.

Fonte: Notícias Agrícolas.

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