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Cessar-fogo mediado por Melania Trump permite retirada de civis ucranianos de área ocupada pela Rússia

Operação humanitária em Oleshky garantiu a evacuação de moradores para territórios sob controle de Kiev após acordo temporário entre Moscou e Ucrânia. Enquanto isso, ataque com drones atingiu instalação industrial na região russa de Nizhny Novgorod, onde fica uma importante refinaria de petróleo.

Uma operação humanitária realizada na região de Kherson, no sul da Ucrânia, permitiu a retirada de civis da cidade de Oleshky, ocupada por forças russas desde 2022. A missão foi viabilizada por um cessar-fogo localizado entre Rússia e Ucrânia, mediado pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, e possibilitou a saída de moradores para áreas controladas pelo governo de Kiev.

A trégua temporária entrou em vigor no fim de outubro e permitiu a entrada de assistência humanitária, a organização de corredores seguros e a retirada de pessoas que desejavam deixar a cidade. O acordo também contou com a participação de representantes civis dos dois países, responsáveis por coordenar as necessidades dos moradores e os procedimentos de evacuação.

Segundo informações divulgadas pelas autoridades envolvidas, a operação foi concluída na sexta-feira, 30 de outubro. O cessar-fogo terminou no domingo, 1º de novembro, sem violações oficialmente relatadas pelas partes.

Melania Trump atuou na mediação do acordo

A participação de Melania Trump foi anunciada pela Casa Branca em 23 de outubro. A primeira-dama afirmou ter conduzido conversas com representantes russos e ucranianos para estabelecer os termos da suspensão temporária das hostilidades.

O objetivo principal era permitir o fornecimento de alimentos, água potável e medicamentos, além de organizar a retirada de moradores em situação de vulnerabilidade, especialmente idosos e pessoas com dificuldades de locomoção.

O acordo também estabeleceu que os civis poderiam escolher o destino da evacuação, seja para território russo ou para áreas sob controle ucraniano. Equipes civis dos dois países participaram da organização da missão, acompanhadas por representantes da imprensa norte-americana.

A operação ganhou relevância por representar uma das raras ocasiões em que Moscou e Kiev concordaram em interromper os combates em uma área específica desde o início da invasão russa em fevereiro de 2022.

Crise humanitária em Oleshky

Antes da guerra, Oleshky tinha aproximadamente 24 mil habitantes. Atualmente, estimativas apontam que entre 1,7 mil e 2 mil pessoas permaneciam na cidade, muitas delas idosas, além de crianças e pessoas com necessidades especiais.

A população enfrentava dificuldades de acesso a alimentos, medicamentos, água potável e energia elétrica. A localização próxima à linha de frente, a presença de minas terrestres e os ataques frequentes também dificultavam a saída dos moradores.

A destruição da barragem de Nova Kakhovka, em junho de 2023, agravou a situação humanitária na região, provocando inundações que atingiram comunidades próximas e ampliaram o deslocamento da população.

Ataque com drones atinge região de refinaria russa

Enquanto a operação humanitária avançava na Ucrânia, a região russa de Nizhny Novgorod registrou um ataque de grande escala com drones atribuídos às forças ucranianas.

Autoridades russas informaram que mais de 100 aeronaves não tripuladas participaram da ofensiva na região. Uma instalação industrial sofreu danos significativos, e relatos apontaram para um possível incêndio em uma unidade ligada ao setor de petróleo.

A área de Kstovo abriga a refinaria NORSI, uma das importantes instalações de processamento de petróleo da Rússia. Por isso, veículos de comunicação ucranianos relacionaram o ataque à estrutura de refino, embora a identificação exata do alvo e a extensão dos danos não tenham sido confirmadas de maneira independente.

O episódio reforça a continuidade dos ataques contra instalações estratégicas da infraestrutura energética russa, em meio à intensificação das operações militares entre os dois países.

Trégua localizada não representa avanço definitivo nas negociações

Apesar do resultado da missão em Oleshky, o acordo não representa um cessar-fogo geral nem uma mudança no cenário militar entre Rússia e Ucrânia. Os confrontos e ataques continuaram em outras regiões, demonstrando os limites de iniciativas humanitárias localizadas.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, destacou a importância da experiência como demonstração de que acordos temporários podem ser implementados quando existe coordenação entre as partes.

A operação também recebeu manifestações positivas do papa Leão XIV, que expressou esperança de que a iniciativa possa contribuir para esforços mais amplos de paz.

Com o encerramento da missão, a atenção internacional permanece voltada para a possibilidade de novas negociações diplomáticas e para a continuidade da assistência aos civis que permanecem em áreas afetadas pela guerra.

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