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Cerro do Jarau: o guardião do Pampa gaúcho

Erguido na paisagem do oeste do Rio Grande do Sul, no município de Quaraí, o Cerro do Jarau é um dos cenários mais emblemáticos do Pampa gaúcho, não apenas por sua formação geológica singular, mas também pelas lendas que atravessam gerações. Entre elas, a mais conhecida é a da furna que, segundo o imaginário popular, conduz à moura encantada.

Localizada próxima ao topo de um dos morros mais altos do conjunto, a gruta chama atenção pela sua estrutura: uma cavidade rasa que se prolonga por uma fenda estreita e profunda, mergulhando na escuridão do interior da montanha. É nesse ponto que nasce a mística da Teiniaguá, figura lendária que habita o folclore regional como guardiã de riquezas ocultas.

Teiniaguá | Fantastipedia | Fandom
Teiniaguá (representação artística). Imagem: Reprodução/Internet.
Cerro do Jarau. Crédito: Andre Dib Direitos autorais: Pulsar Imagens

Apesar de sua relevância histórica e cultural, o local ainda recebe poucos visitantes. Essa realidade, no entanto, vem sendo transformada pela iniciativa da empresária do turismo Kátia Lagreca Schmidt, que, ao lado do marido, Guilherme Casapina Schmidt, abriu as porteiras da Estância Santa Rita do Jarau para visitação guiada.

Apaixonada pela região desde que se mudou para a estância, há cerca de 15 anos, Kátia passou a estudar a história do cerro e hoje conduz turistas por trilhas que cruzam sangas, sobem encostas e revelam, ao final do percurso, uma vista panorâmica de 360 graus das planícies do Pampa.

Durante uma dessas expedições, acompanhada por pesquisadores, foi possível observar características únicas da vegetação local — composta por espécies adaptadas ao clima seco e ao solo pedregoso, típicas de ambientes de agreste.

Mas o Cerro do Jarau guarda mais do que paisagens e lendas. Ele também é palco de episódios marcantes da história gaúcha. O escritor João Simões Lopes Neto registrou em sua obra a famosa lenda da Salamanca do Jarau, relacionando-a ao caudilho Bento Manuel Ribeiro. Segundo o autor, o líder militar teria selado um pacto na furna, o que explicaria sua habilidade em escapar ileso de inúmeras batalhas durante a Revolução Farroupilha.

João Simões Lopes Neto. Imagem: Reprodução/Intenet.
Gaúcho. Imagem: Reprodução/Internet.

Nas proximidades do cerro, ainda resistem vestígios da antiga estância de Bento Manuel. Escondidas entre a vegetação, as ruínas revelam estruturas de pedra que, no passado, formavam um complexo com funções residenciais e estratégicas. O local, com cerca de 33 hectares, incluía moradia, currais, galpões e até cemitério, funcionando como uma verdadeira fortaleza em uma região de fronteira.

Pesquisas arqueológicas já identificaram aproximadamente 2 mil objetos no sítio, evidenciando aspectos do cotidiano da época e revelando uma sociedade mais diversa do que o imaginário tradicional costuma retratar. Entre os achados, há indícios da presença de indígenas, negros escravizados e descendentes de espanhóis, compondo um mosaico social complexo.

Além disso, estudos apontam o papel central das mulheres na manutenção da estância, especialmente durante os períodos de conflito, quando os homens partiam para a guerra. Eram elas que garantiam o funcionamento econômico e a sobrevivência no local.

Entre história e mito, o Cerro do Jarau permanece como um símbolo da identidade gaúcha, um território onde o passado ecoa nas pedras e nas narrativas que resistem ao tempo.


Fonte: Adaptado de reportagem de GZH (GaúchaZH)

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