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Brasil amplia participação na produção global do Gripen com fabricação de estruturas de alta complexidade

Unidade da Saab em São Bernardo do Campo produz componentes que podem equipar aeronaves montadas no Brasil ou na Suécia e elevou para até 16 unidades anuais a capacidade de fabricação da fuselagem traseira.

O Brasil avançou de comprador de aeronaves militares para participante direto da cadeia internacional de produção do caça Gripen. Em São Bernardo do Campo, na Região Metropolitana de São Paulo, a Saab fabrica algumas das principais aeroestruturas do modelo, seguindo os mesmos padrões, ferramentas e tecnologias utilizados pela companhia em sua unidade de Linköping, na Suécia.

Entre as estruturas produzidas no país está a fuselagem dianteira do Gripen E, uma das partes mais complexas da aeronave. A peça fabricada no Brasil é equivalente à produzida na Suécia e pode ser utilizada em qualquer aeronave Gripen E dentro da cadeia produtiva do programa.

Essa integração ganhou um marco importante em 2022, quando a primeira fuselagem dianteira fabricada no Brasil foi concluída e enviada à Suécia para integrar a produção de novos caças. Segundo a Saab, as estruturas brasileiras e suecas são idênticas, permitindo sua utilização independentemente do país onde ocorrerá a montagem da aeronave.

Produção brasileira chega a uma das áreas mais complexas do caça

A fuselagem dianteira está longe de ser apenas o revestimento externo da aeronave. É nessa seção que fica o piloto e onde são instalados sistemas fundamentais para a operação do caça, como assento ejetável, manche, pedais, canopi, displays de cabine, aviônicos e o radar AESA.

A fabricação desse conjunto exige elevado grau de precisão industrial para permitir a posterior integração dos diferentes equipamentos e sistemas da aeronave.

A planta brasileira também produz fuselagens traseiras, cones de cauda e freios aerodinâmicos. No caso dos dois últimos componentes, a Saab Brasil atua como fornecedora exclusiva para o Gripen E/F.

Instalada em uma área de aproximadamente 5 mil metros quadrados, a fábrica de São Bernardo do Campo foi inaugurada em 2018 e iniciou sua produção em 2020. É a primeira unidade de aeroestruturas do Gripen estabelecida pela Saab fora da Suécia.

Capacidade de fuselagens traseiras chega a 16 unidades por ano

Outro avanço ocorreu em 2025, quando a Saab colocou em operação uma segunda linha de fabricação da fuselagem traseira do Gripen no Brasil.

Com a expansão, a capacidade instalada passou de oito para até 16 fuselagens traseiras por ano. A estrutura é responsável por abrigar o motor da aeronave e figura entre as aeroestruturas de maior complexidade produzidas na unidade brasileira.

A primeira fuselagem traseira fabricada no país havia sido concluída em 2023. Com componentes de alumínio e titânio, a estrutura possui aproximadamente 220 quilos e reúne cerca de 750 peças em sua montagem.

A ampliação da produção também reforçou a posição da fábrica brasileira dentro da estratégia internacional da Saab. De acordo com a empresa, a implantação da segunda linha ultrapassa as obrigações previstas no programa de compensação — conhecido como offset — associado à aquisição dos Gripen pelo Brasil.

Tecnologia utilizada no Brasil segue padrão sueco

A integração entre as fábricas é possível porque a unidade de São Bernardo do Campo utiliza ferramentais, softwares, conceitos industriais e tecnologias equivalentes aos empregados pela Saab em Linköping.

Entre os recursos utilizados está o chamado Model-Based Definition (MBD), sistema no qual o modelo tridimensional do componente funciona como referência para as informações necessárias à fabricação e à inspeção.

Na prática, a padronização permite que estruturas fabricadas no Brasil sejam incorporadas à cadeia internacional de suprimentos da companhia.

O processo representa uma mudança relevante em relação a programas de defesa baseados apenas na importação do produto final. No caso do Gripen, parte da estratégia envolveu transferência de tecnologia, formação de profissionais e implantação de capacidade industrial no território brasileiro.

São Bernardo produz estruturas; Gavião Peixoto monta os caças

A produção do Gripen no Brasil está distribuída principalmente entre duas unidades industriais paulistas.

Em São Bernardo do Campo são fabricadas aeroestruturas. Já em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, funciona a linha de produção das aeronaves, instalada nas dependências da Embraer.

Componentes produzidos no Brasil e no exterior seguem para essa unidade, onde são realizadas etapas de montagem e integração dos sistemas do caça.

A linha de Gavião Peixoto tornou-se a primeira destinada à produção do Gripen E estabelecida fora da Suécia, ampliando a participação da indústria brasileira no programa.

Brasil passa a integrar cadeia internacional do Gripen

O processo começou anos antes da montagem de aeronaves completas no país. Em junho de 2020, a unidade de São Bernardo iniciou a produção de componentes. Dois anos depois, a primeira fuselagem dianteira brasileira foi concluída e destinada à cadeia global de suprimentos.

Em 2023 veio a primeira fuselagem traseira fabricada no país. Em 2025, a capacidade desse componente foi duplicada com a abertura da segunda linha.

A sequência demonstra que a participação brasileira no programa não se limita aos caças destinados à Força Aérea Brasileira (FAB). As estruturas produzidas em São Paulo passaram a integrar o sistema internacional de fabricação da Saab.

O contrato firmado pelo Brasil contempla inicialmente 36 aeronaves Gripen E/F, 28 unidades monopostas Gripen E e oito bipostos Gripen F, além de suporte, treinamento e transferência de tecnologia.

Mais do que receber novos caças, o programa estabeleceu no país competências para fabricar aeroestruturas de uma aeronave supersônica e participar de uma cadeia industrial de alta complexidade, colocando a indústria brasileira entre as poucas com capacidade instalada para atuar diretamente na produção desse tipo de equipamento militar.

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