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Amazonas entra na reta final dos preparativos para votação de outubro

TRE-AM inicia preparação e lacração das urnas que serão utilizadas no primeiro turno, enquanto episódio envolvendo pedido do Ministério Público Eleitoral a veículos de comunicação provoca manifestação da Abraji em defesa do sigilo da fonte

A menos de 20 dias do primeiro turno das Eleições Gerais de 2026, marcado para 4 de outubro, o Amazonas entrou em uma das etapas decisivas da organização do pleito. O Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) intensificou a preparação das urnas eletrônicas, a logística para o interior, o treinamento das equipes e o planejamento de segurança para garantir a votação em um estado marcado pelas grandes distâncias e pela dependência do transporte fluvial e aéreo.

Paralelamente aos preparativos, outro tema entrou no debate eleitoral amazonense nesta sexta-feira (18): a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgou nota em que critica uma solicitação feita pelo Ministério Público Eleitoral do Amazonas (MPE-AM) a veículos de comunicação para obtenção de informações relacionadas às fontes de uma publicação jornalística. A entidade classificou a iniciativa como uma tentativa de violação do sigilo da fonte.

Urnas passam por carga, testes e lacração

O TRE-AM iniciou na quarta-feira (16) os procedimentos de geração de mídias, carga e lacração das urnas destinadas ao primeiro turno. Nessa etapa, são reunidos os dados necessários ao funcionamento de cada equipamento, as informações são inseridas nas urnas e, posteriormente, são realizados conferência, testes e lacração antes do envio aos locais de votação.

Os procedimentos são realizados em cerimônias públicas, que podem ser acompanhadas por representantes do Ministério Público, partidos políticos, federações, Ordem dos Advogados do Brasil e demais entidades fiscalizadoras. Os editais com datas e locais foram publicados pelo Tribunal.

Nesta primeira etapa, são preparados equipamentos destinados a Manaus e a municípios que integram o chamado Polo Manaus. Entre eles estão Apuí, Boca do Acre, Canutama, Fonte Boa, Guajará, Ipixuna, Jutaí, Manicoré, Novo Aripuanã, Pauini e Tapauá.

Segundo o TRE-AM, aproximadamente 583 urnas já preparadas, além de materiais e suprimentos eleitorais, serão enviadas no domingo (20) para municípios do Polo Manaus. Outras cerca de 300 urnas deverão ser encaminhadas em remessas previstas para os dias 21, 25 e 26 de setembro.

Nos demais polos do interior, a preparação deverá alcançar outras 4.012 urnas, distribuídas por 46 municípios, entre os dias 21 e 30 de setembro. Em Manaus, a programação envolve 4.451 urnas, incluindo equipamentos relacionados a Careiro da Várzea e Rio Preto da Eva, além das unidades de contingência e materiais de apoio.

Logística enfrenta dimensão territorial do Amazonas

Preparar os equipamentos é apenas uma parte da operação. Fazer com que urnas, equipes e materiais cheguem aos locais de votação representa um dos principais desafios da Justiça Eleitoral no Amazonas.

O planejamento leva em consideração a localização geográfica dos municípios, o número de seções eleitorais e os diferentes meios de transporte necessários para alcançar cada região. Além da logística, o TRE-AM acompanha neste ano os possíveis impactos das condições climáticas sobre o pleito.

Em reunião do Gabinete de Gestão Integrada realizada na quinta-feira (17), representantes da Justiça Eleitoral, forças de segurança e outros órgãos discutiram questões como vazante dos rios, altas temperaturas e fornecimento de energia nos locais de votação.

A presidente do TRE-AM, desembargadora Carla Reis, afirmou após a reunião que as principais medidas relacionadas à segurança e à logística eleitoral estão definidas.

Abraji reage a pedido do Ministério Público Eleitoral

Enquanto a Justiça Eleitoral avança nos preparativos operacionais, uma controvérsia envolvendo o Ministério Público Eleitoral do Amazonas e veículos de comunicação ganhou repercussão nacional.

Em nota publicada nesta sexta-feira (18), a Abraji afirmou que o MPE-AM, por meio do Ofício nº 174/2026/PRE/AM, solicitou ao Portal Redação Amazônia e a outros veículos informações relacionadas à origem de conteúdo publicado durante a cobertura eleitoral.

De acordo com a entidade, o ofício questiona quem teria compartilhado o material utilizado pela reportagem, quando o conteúdo foi recebido, solicita os arquivos originais e pergunta sobre eventual remuneração, patrocínio ou impulsionamento relacionado à publicação.

A Abraji sustenta que essas solicitações podem atingir a garantia constitucional do sigilo da fonte jornalística e afirmou que o documento não apresenta identificação de procedimento administrativo ou judicial relacionado ao pedido.

Segundo a associação, o ofício decorreu de pedidos apresentados pela assessoria jurídica da campanha da candidata ao Governo do Amazonas Maria do Carmo (PL) em uma denúncia à qual a entidade afirma ter tido acesso.

Reportagem citava operação policial

A Abraji informou que a reportagem que deu origem à controvérsia utilizou informações divulgadas em uma coletiva da Polícia Civil do Amazonas sobre a prisão de Rodrigo Soares, conhecido como RC Soares. Segundo o relato da associação, a Polícia informou ter encontrado materiais de campanha de Maria do Carmo durante uma operação em que também houve apreensão de duas toneladas de drogas.

A associação acrescentou que a apuração jornalística localizou fotografias de Rodrigo Soares com a candidata em redes sociais e que ele se identificava, em seu próprio perfil no Instagram, como coordenador da campanha. Essas informações fazem parte da versão apresentada pela Abraji em sua manifestação.

Na nota, a entidade afirmou considerar a iniciativa do MPE-AM uma afronta à liberdade de imprensa e pediu que o órgão se abstenha das solicitações relacionadas às fontes jornalísticas.

O sigilo da fonte é assegurado pelo artigo 5º, inciso XIV, da Constituição Federal, que garante acesso à informação e resguarda o sigilo da fonte quando necessário ao exercício profissional.

Primeiro turno será em 4 de outubro

Enquanto a controvérsia segue no campo institucional, o calendário eleitoral avança. O primeiro turno das Eleições Gerais de 2026 ocorre em 4 de outubro. Um eventual segundo turno para as disputas de presidente da República e governador está marcado para 25 de outubro.

Nas próximas semanas, o TRE-AM continuará a preparação e distribuição das urnas, capacitação das equipes, organização dos locais de votação, fiscalização da propaganda e execução do esquema de segurança.

Entre a complexa operação necessária para fazer a votação chegar às diferentes regiões do Amazonas e as discussões jurídicas que acompanham a cobertura da campanha, o estado entra agora na fase decisiva das Eleições 2026.

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