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Agronegócio brasileiro mira Angola como nova frente de investimentos na África

Projeto prevê US$ 120 milhões em investimentos agrícolas, produção em território angolano e participação de produtores e empresas brasileiras

A expansão do agronegócio brasileiro começa a encontrar novas oportunidades do outro lado do Atlântico. Angola entrou no radar de produtores e empresários interessados em investir na produção agrícola local, exportar tecnologia e ampliar a presença do Brasil no continente africano. A movimentação também ganha força diante da busca por novos mercados após o aumento das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Uma comitiva formada por 30 empresários brasileiros participa de uma agenda de negócios em Luanda para avaliar possibilidades de investimentos. O agronegócio ocupa posição central nas negociações, que buscam transformar a aproximação entre Brasil e Angola em projetos produtivos e novas relações comerciais.

A estratégia vai além da exportação de alimentos. A intenção é estimular a produção em território angolano utilizando experiência, máquinas, insumos e tecnologia desenvolvidos pelo setor agropecuário brasileiro.

Projeto prevê investimento de US$ 120 milhões

A aproximação entre os dois países ganhou impulso com o Programa de Investimento Produtivo Agropecuário Brasil-Angola, formalizado em 2025 para estruturar projetos de cooperação e investimentos no setor agrícola.

Em maio deste ano, uma missão liderada pelo ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, esteve em Angola acompanhada de empresários brasileiros. Durante a visita, o governo apresentou uma proposta de acordo bilateral de US$ 120 milhões para investimentos agrícolas.

O projeto prevê inicialmente a concessão de cerca de 20 mil hectares para produção de agricultores brasileiros. As áreas identificadas estão localizadas nas províncias de Cuanza Norte, Uíge e Malanje.

A expectativa é reunir aproximadamente 30 produtores, principalmente de Mato Grosso e da Bahia. O financiamento deverá envolver o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Fundo Soberano de Angola. O Banco do Brasil também poderá atuar por meio de recursos do Programa de Financiamento às Exportações (Proex).

Produção de alimentos abre espaço para investimentos

Um dos fatores que despertam o interesse do setor brasileiro é a necessidade de Angola ampliar sua produção interna de alimentos. O país possui cerca de 37 milhões de habitantes e pode alcançar aproximadamente 70 milhões até 2050.

Segundo dados apresentados por autoridades angolanas e citados pela CNN Brasil, a produção doméstica atende apenas 37% das necessidades do mercado interno. As importações de alimentos chegam perto de US$ 3 bilhões por ano.

Nesse cenário, empresários enxergam espaço para investir diretamente na produção agrícola angolana, em vez de concentrar a relação comercial apenas na venda de produtos brasileiros.

O economista Roberto Gianetti da Fonseca, ex-secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), avalia que a África representa uma oportunidade para o Brasil diversificar mercados e estabelecer uma relação baseada também em investimentos e produção local.

“Temos que olhar para a África com um olhar de parceria, inovação e produção local. É bom para investir aqui e é bom para o brasileiro investir aqui”, afirmou.

Tecnologia brasileira pode ganhar mercado

O projeto também abre possibilidades para diferentes segmentos da indústria brasileira. O planejamento inclui financiamento para aquisição e exportação de máquinas agrícolas fabricadas no Brasil, além de insumos e investimentos em armazenagem, irrigação e infraestrutura.

A proposta é aproveitar o conhecimento acumulado pelo país ao longo de décadas no desenvolvimento da agricultura tropical. Técnicas adaptadas às condições do Cerrado brasileiro são vistas como uma referência que pode contribuir para a produção em regiões africanas com características semelhantes.

A ex-ministra da Agricultura Kátia Abreu considera que o continente africano deve ser visto como uma nova fronteira para o setor brasileiro.

“Nosso Centro-Oeste não é mais a única fronteira agrícola. A África é uma fronteira para nós. Temos que olhar para ela como uma intenção brasileira no agronegócio”, declarou.

Para Kátia Abreu, o domínio brasileiro sobre sistemas de produção em ambientes tropicais representa uma vantagem estratégica. A experiência envolve pesquisa, melhoramento de sementes, manejo de solo e desenvolvimento de tecnologias agrícolas ao longo das últimas décadas.

A perspectiva é que essa capacidade técnica seja utilizada para estabelecer uma parceria que envolva produção de alimentos, transferência de conhecimento e expansão da indústria de máquinas e insumos.

Com a iniciativa, Angola passa a ocupar uma posição estratégica nos planos de internacionalização do agronegócio brasileiro. O avanço dos projetos dependerá agora da consolidação dos acordos, das condições de financiamento e da transformação das negociações em investimentos efetivos no território angolano.

Fonte: CNN Brasil.

 

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