Nos 30 anos da Conab comemorados na Páscoa observa -se a melhora da qualidade de vida com os alimentos fornecidos para agricultura familiar, indígenas, quilombolas e populações tradicionais do Amazonas.

Leia a entrevista exclusiva do superintendente regional da Conab Amazonas, Serafim José Taveira Júnior
1) Nesses 30 anos destaque o que se realizou na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na última década, especialmente em sua gestão
-A Conab possui um espectro de atuação bem amplo no âmbito da sua missão institucional e isto decorre das possibilidades de apoio ao agronegócio e agricultura familiar em cada uma das unidades da federação.
O Amazonas tem uma participação considerável na carta de serviços da Companhia e há uma preocupação contínua com as necessidades dos agricultores familiares, pescadores, extrativistas, quilombolas, indígenas, ribeirinhos e demais povos e comunidades tradicionais.
Estes valores mostram parte do apoio da Companhia ao setor no estado nos últimos 10 anos:
2) Quais são os desafios enfrentados na pandemia do Coronavirus, no fornecimento dos alimentos?
-A Conab não parou as atividades. Apesar da situação gerada pelo enfrentamento à pandemia, a empresa segue as orientações das instituições como o Ministério da Saúde e a Organização Mundial de Saúde (OMS), bem como respeita as medidas decretadas pelo governo estadual. Para manter o funcionamento das ações de apoio ao setor, a Conab opera com parte da equipe em trabalho presencial e os demais em trabalho remoto.
As ações do PAA/CDS continuam sem suspensões por parte da Conab e o banco de alimentos do SESC, o Mesa Brasil, está também em operação, podendo receber as doações dos projetos que estão em andamento.
Os pagamentos estão sendo feitos normalmente e neste período já foi liberado pela Companhia mais de R$ 200 mil às organizações que finalizaram as suas entregas no âmbito do programa.
Nos últimos dias, iniciou-se ainda o recebimento de 500 toneladas de milho que, somadas as quase 2 mil toneladas já existentes, garantem a ração animal utilizada por pequenos criadores, que acessam pelo ProVB uma oferta de milho em condição de aquisição mais justa.
3– No meio da pandemia, como estão realizando os processos de compras da agricultura familiar?
-As compras com doações simultâneas do PAA estão sendo mantidas em virtude de as unidades recebedoras estarem ligadas aos Centros de Referência de Assistência Social (CRAs) e ao Mesa Brasil, cuja finalidade é socioassistencial.
4- Como está o estoque de alimentos?
A posição dos estoques da Companhia pode ser acompanhada por meio do próprio site da estatal. No Amazonas, o estoque é formado por milho e o produto é voltado para atender o ProVB. Mas é importante ressaltar que está em andamento a aquisição de produtos que integrarão as cestas de alimentos que serão distribuídas a famílias indígenas e quilombolas que se encontram em situação de vulnerabilidade agravada pela pandemia de COVID-19. Esta ação é resultado de um Termo de Execução Descentralizada (TED) firmado entre a Conab e o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos – MMFDH.
Em relação ao mercado local mantêm-se a análise inicial de regularidade do fornecimento da maioria dos produtos e até aqueles que sofreram o impacto inicial da demanda de consumo, como foi o caso dos produtos de higiene pessoal e proteção individual, já podem ser encontrados em alguns comércios locais com um lento retorno aos preços originais.
Uma preocupação pontual no estado refere-se ao fornecimento de ovos, principalmente em relação aos preços. Mas é válido ressaltar que os produtores foram impactados pelo reajuste nos custos de produção, em média de 20% na soja, 40% no milho (insumos para ração) além de medicamentos para o plantel, em razão da variação do câmbio. Os reajustes possuem então causas anteriores à situação da COVID-19 e os motivos são fatores sazonais.
5-Logística de distribuição dos alimentos?
O Governo do Amazonas tem deixado claro em seus decretos que o transporte de alimentos não deve parar. No entanto sabemos que os produtores encontram dificuldades com os pontos de escoamento. Alguns destes estão suspensos como é o caso das feiras, um dos mais tradicionais. Contudo, este é o momento no qual há a necessidade de se repensar a forma de fazer negócios e muitos estão partindo para a venda direta com apoio de aplicativos, redes sociais e ações governamentais, a exemplo do que se viu na Agência de Desenvolvimento Sustentável do Estado do Amazonas (ADS) durante a Semana Santa.
As opções estão surgindo e muitos produtores estão assumindo essa parte da cadeia produtiva, a distribuição.
6- Safras que estão se realizando?
Respeitando a sazonalidade da várzea e terra firme, a safra de produtos regionais está mantida. O agricultor familiar, o pecuarista e os pescadores não pararam. A atividade representa a sua existência e sustento e, mesmo que sofram reduções nas vendas, o produto os auxilia na própria alimentação.
Já para a safra de grãos é esperado um incremento dos números da produção de soja, milho, arroz e apenas um pequeno decréscimo no caso do feijão que é uma alternância normal entre os cultivos do arroz e feijão, como aponta o 7º levantamento divulgado pela Companhia no último dia 9.
7- Sobre o leilão eletrônico anunciado hoje, que colocará mais de 52 mil toneladas de milho a venda, quais são as expectativas?
A expectativa é que os produtores possam aproveitar a oferta em um momento de variação dos preços deste produto no mercado e com isto atender a uma das finalidades das ações da Conab que é o apoio a estabilização de preços no mercado.
8- Quais são as metas para 2020?
-A Conab tem metas definidas pelo Plano de Negócios que atendem ao Planejamento Estratégico da Companhia, que pode ser resumido na missão de ofertar um serviço de inteligência aos clientes do agronegócio e da agricultura familiar, e auxiliar o Governo Federal na criação e implementação de programas e políticas públicas que fomentem o desenvolvimento no campo brasileiro. Especificamente no Amazonas, as metas são:
- Implementar a Política de Garantia de Preços Mínimos para os Produtos da Sociobiodiversidade (PGPM-Bio), subvenção direta ao produtor extrativista aos 20.000 manejadores de pirarucu (o produto foi incluído neste ano na política pública);
- Agregar os valores das emendas parlamentares à execução do Programa de Aquisição de Alimentos / Compra com Doação Simultânea (PAA/CDS).
- Retomar a realização das rodadas de negócios que em 2019 serviu como ferramenta de aproximação dos produtores aos compradores nacionais e internacionais;
- Ampliar o acesso de pequenos criadores ao Programa de Vendas em Balcão (ProVB) nos municípios distantes da Região Metropolitan
Entrevista: Dulce Maria Rodriguez
Fotos: Divulgação